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  • Innovation through Social Science, Podcast Episode #84 e #85

    Innovation through Social Science, Podcast Episode #84 e #85

    O episódio #84 saiu e está em português com transcrições em inglês. Andrea Rozenbaum e eu (Corina) conversamos com Henrique Parra e Ricardo Teixeira sobre como diferentes países estão respondendo ao COVID-19. Focando no Brasil, além de uma visão geral da realidade do sistema de saúde também discutimos a dificuldade para muitos brasileiros Segue as medições de isolamento social; o papel e desempenho do Estado no contexto brasileiro; o significado das iniciativas civis que têm vindo a surgir como respostas para contornar a ausência do Estado em momentos específicos; questões culturais e estruturais. Desde a desobediência a vários níveis à forma como o sistema fiscal contribui para o aprofundamento das desigualdades sociais, mesmo quando se trata do sistema de saúde. (também com transcrições em inglês) no nosso site:

    Escute o Episódio #84: https://the-human-show-innovation-through-social-science.simplecast.com/episodes/en-henrique-parra-ricardo-teixeira-some-perspectives-on-how-brazil-is-facing-the-pandemic-from-the-health-care-system-to-smart-technology

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    O episódio 85 chegou! Esta é a parte 2 da conversa que Corina & Andrea Rozenbaum tem em português com Henrique Parra, sociólogo e professor de Ciências Sociais da UNIFESP e Ricardo Teixeira, médico sanitário especializado em saúde coletiva, e professor na Universidade de São Paulo (USP) ..Neste episódio, aprofundamos a nossa conversa, questionando o sentido de responsabilidade e o sentimento de impotência ao enfrentar uma realidade em que parece difícil vislumbrar um futuro positivo. Ricardo retomou a ideia de medicina social, vendo-a como uma ciência social. Os entrevistados destacaram a vulnerabilidade que a pandemia trouxe e debateram como isso nos faz perceber o quão interdependentes somos, e como precisamos do coletivo, dos títulos e dos afetos para viver.(também com transcrições em inglês) no nosso site:

    Escute o episódio #85: https://the-human-show-innovation-through-social-science.simplecast.com/episodes/henrique-parra-ricardo-teixeira-amplifying-the-debate-the-role-of-scientists-and-social-scientists-in-times-of-uncertainty

  • Tecnopolítica #38: Afinal, o que é tecnopolítica?

    Tecnopolítica #38: Afinal, o que é tecnopolítica?

    No episódio #38, Sérgio Amadeu conversa com o ativista, pesquisador do Pimentalab – Laboratório de Tecnologia, Política e Conhecimento e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Henrique Parra, sobre o conceito de tecnopolítica e as possibilidades das práticas colaborativas abrirem espaços para a reconfiguração das tecnologias para além do capital.

  • Conspiremos! Um convite para um experimento coletivo de investigação [estamos noutro site]

    Conspiremos! Um convite para um experimento coletivo de investigação [estamos noutro site]

    “Conspirar quer dizer respirar junto.

    E é disso que somos acusados.”


    Durante a Pandemia Covid-19 o Laboratório do Comum deslocou suas iniciativas para o projeto Lab Zona de Contágio.

    Com o acontecimento COVID-19, o Laboratório Zona de Contágio instaura-se como um dispositivo de pesquisa coletiva e experimentação. Se o fortalecimento de governos tecno-autoritários já era uma ameaça à vida comum, a intrusão viral potencializa a disseminação de uma cultura imunitária e securitária de contornos fascistas no tecido da própria vida social. Tudo é risco.

    Estamos lançando uma investigação coletiva que se proponha a pensar agora pelos cortes que fazem atravessar corpos, a casa, o risco da respiração compartilhada, os novos arranjos da biovigilância, as tecnopolíticas de gestão do normal e do que excede. O poder é logístico, está por todos os lados. Por isso, uma ciência de risco precisa dar atenção aos “agenciamentos que geram transformações metamórficas em nossa capacidade de afetar e sermos afetados – e também de sentir, pensar e imaginar”.


    Disparamos perguntas que nos implicam com o acontecimento covid-19.


    Pensar porque estamos obrigados, potencialmente infectados e febris. Diante dos intensos fluxos filosóficos, da saturação metafísica, semiótica, informacional, gostaríamos de propor uma desaceleração do pensamento; uma respiração diafragmática. Uma ciência de risco é objetora de tudo que nos envenenou: produtividade, crescimento, competição, originalidade, os grandes esquemas conceituais. Uma ciência de risco é aquela que habita as encruzilhadas e as práticas de permanecer um pouco mais com a confusão.

    Como primeiro movimento de um percurso incerto e aberto de investigação coletiva, desejamos criar conversas com praticantes que se sintam afetados por essas questões.  Seja a partir de uma criação qualquer (texto, fotografias, áudios, vídeos, performances) compartilhada entre nós, ou de um fio investigativo que possamos juntos rastrear: os fios do provável (a reorganização dos poderes tecnototalitários e dos dispositivos reordenadores da vida); os fios do possível (as formas de cooperação, novos acordos coletivos, a luta contra as normalizações dos excessos e pelas muitas formas de recusa). Uma ciência menor que atua  com a experimentação e a invenção de uma linguagem comum, pelos sentidos que dão passagem a uma experiência singular e coletiva.

    Atenção às infraestruturas mínimas da vida coletiva que adquirem visibilidade e urgência – a metrópole é um grande dispositivo de renuncia sobre nossas próprias vidas. Como a vida na cidade e na casa é percebida no interior desse acontecimento? O que estamos fazendo das nossas vidas?

    Rastrear os pequenos gestos, as formas de recusa nada épicas, os imperativos do desempenho que descem pelo ralo enquanto temos que dar conta da louça acumulada antes da próxima reunião online. Como nossa vida é agora interpelada pela lógica da produção e do fazer, pela culpa do contato ou do isolamento, como imaginam nossas resistências e invenções cotidianos para existir? Precárixs. Lançadas em uma correnteza de indeterminação; atentas para os modos diferenciais de tornar algumas vidas dignas de serem protegidas e outras não. Nossos corpos como infraestrutura invisível que sustenta toda a ficção do “homem livre empreendedor”. Para não “voltar ao normal!”; Para retomar a insistência da vida não a qualquer custo – mas uma vida que possa criar movimentos de abertura, uma que desliza e escapa de suas estabilidades e antigos compromissos, aquela que aposta nos riscos dos encontros.

    Rastrear as decisões logísticas e tecnológicas que prometem “segurança”, “saúde” e “bem-estar”, “praticidade” e “desempenho” a despeito da nossa incapacidade de cuidarmos de nós mesmos; a despeito da nossa incapacidade de sustentar outras saídas. Assumir nossas vulnerabilidades compartilhadas. Como esse acontecimento nos releva os arranjos em que estamos enredados? Podemos habitar de outra forma a cidade, o mundo, a terra – não como “cidadãos”, mas como criaturas?

    Somos convocados a oferecer provas de um bom comportamento como soldados de uma guerra que não é nossa. Interpeladas cotidianamente por dispositivo de mobilização de corpos e boas condutas. Alternativamente, quais são as novas alianças que estamos criando e que desejamos ainda criar? Uma ciência de risco é sempre uma ciência que hesita, uma ciência de retomada de uma inteligência coletiva e que funciona apesar e contra os chamamentos da nação, da pátria ou da grande Ciência e seus regimes de autoridade e verdade.

    Protótipo 1 – como criar uma conversação em tempos de pandemia?

    Explicações de um mundo “real”, assim, não dependem da lógica da “descoberta”, mas de uma relação social de “conversa” carregada de poder.

    Neste primeiro movimento a idéia é que possamos nos relacionar através de nossas criações, formas de expressão sobre o experienciado, fragmentos coletados do mundo, situações vividas, sentidas, relatos, hesitações – sejam seus ou não. 

    Se você deseja entrar nesse barco, envie um email (tecnologia de desaceleração) para: conspire@tramadora.net

    Criamos um canal de transmissão no Telegram onde iremos proliferar os caminhos da pesquisa: https://t.me/tramadora

    Há também uma página no Facebook: https://www.facebook.com/corpocontagio

    Além do processo investigativo, realizaremos um ciclo de estudos insurgentes. Encontros virtuais para discussão de algum texto ou conversarmos com algumx convidadx. O primeiro encontro será dia 23/04, quinta-feira, a partir das 19:30hs, numa plataforma de videoconf [link com a programação será divulgado em breve]

    Sobre: Zona de Contágio é uma iniciativa de confluências, um híbrido do coletivo Tramadora, Projeto Laboratório do Comum do Pimentalab/Unifesp, Lavits.

    obra de: Regina Parra

  • Lab_ Zona de Contágio

    Lab_ Zona de Contágio

    Durante a Pandemia Covid-19 o Laboratório do Comum deslocou suas iniciativas para o projeto Lab Zona de Contágio.

    Laroiê!

    salve o mensageiro!

    Nós, que pensamos em “ideologia”, somos vulneráveis. Nós não possuímos os saberes pertinentes para identificar e compreender os dispositivos de captura e de produção de impotência. Ora, lá onde se pensa que os feiticeiros existem, aprende-se a reconhecê-los, a diagnosticar seus procedimentos, a se proteger deles, e ainda a contra-atacar” (I.Stengers). 

    Zona de Contágio é um laboratório situado, prática coletiva de uma ciência do contato implicada em habitar a pandemia COVID-19 como um acontecimento: “um acontecimento está no interior da existência e das estratégias que o perpassam”. Ele surge como uma plataforma de convergência entre pesquisadorxs-ativistas cujo trabalho de investigação viu-se forçado a pensar com a intrusão viral. Uma encruzilhada.

    O vírus é a entidade estrangeira que fala pelo nosso corpo, através dele, de sua vulnerabilidade e estupidez. Fala que nossasnoções de “política” e de “progresso” ou “civilização” são débeis, inócuas. Faz com que sintamos a febre da Gaia Criatura comoresposta imunológica às simplificações ecológicas e biológicas produzidas pelos modos extrativistas que seguem fazendo desertosem nome do “crescimento econômico”, “desenvolvimento”; que seguem produzindo muros, cercas, desejo de segurança eseparação. 

    O medo da contaminação como forma de governo das vidas sempre foi a principal bio-tecnologia colonial,  atualizada pelos regimes autoritários modernos. Tecnologias de vigilância são convocadas ao controle epidemológico; pessoas tomadas por um desejo de segurança profilática passam a “denunciar” outras pessoas que precisam fazer qualquer coisa na rua porque, às vezes, não se tem muitas opções. Outras começam a professar o “Estado Forte” como forma de contenção – como se não nos bastasse a força do que já temos. Fala-se em “Guerra”, mas é importante responder: queremos a restituição da vida em sua possibilidade erótica, não somos os seus soldados!

    Estamos na encruzilhada Hobbes x Espinosa; o Estado e a hipótese do Comum!  O momento em que desejamos que o Estado tome medidas de exceção de controle populacional em nome da segurança sanitária, é o momento em que renunciamos à nossa potência de cuidado da saúde coletiva. Seremos capazes de construir alternativas com nossa inteligência coletiva? Como ativar o Comum, a potência de produção da saúde entre todos, promovendo vínculos solidários de cuidado coletivo? Como infraestruturar as estratégias, dispositivos, tecnologias, diferenças, práticas e conhecimentos que possam dar lugar a essas formas de vida?

    A natureza do poder se modificou de tal forma que hoje confunde-se com a própria vida. Está na paisagem da cidade e suas infraestruturas, nas centenas de dispositivos que conduzem nossa atenção, localização, nas catracas, na produção dos desejos e das frustrações; nas centenas de outros dispositivos que nos conduzem à novas formas de desempenho; novas formas de concorrência.

    Os arranjos sociotécnicos ao mesmo tempo vigiam e controlam toda possibilidade de fuga com outros inúmeros dispositivos deneutralização preventiva. A algoritmização da vida bloqueia qualquer possibilidade de imprevisto, de acontecimento e abertura. O poder se organiza de forma imanente à vida e sua expressão de exterioridade é apenas uma expressão performativa e mais visíveldele – ainda que nos pareça mais confortável imaginar que o Poder está lá, sentado em uma cadeira. “Uma perspectiva revolucionária já não tem a  ver com a reorganização institucional da sociedade, mas com a configuração técnica dos mundos”. Na metrópole, assinala o Conselho Noturno (2019), o que encaramos não é mais o velho poder que dá ordens, o poder que localiza-se desde uma exterioridade, mas uma forma de poder que logrou constituir-se como a ordem mesmo desse mundo. “A metrópole é o simulacro territorial efetivo de um mapa sem relação com nenhum território”

    Diante da crise de presença alimentada por inúmeros dispositivos de produção de corpos neoliberalizados, Zona de Contágio convida ao diálogo praticantes que desejam tensionar as modernas e habituais fronteiras entre ciência e política; entre corpos e pensamento. Assumir nossa debilidade existencial como ponto de partida para pensar os deslocamentos do político. Pensar a nossa crise de presença como condição epocal seria também investigar os diversos dispositivos que a produzem, mas, por outrolado, experimentar como reativar “uma maior atenção ao devir da presença dos entes” no mundo vivo; retomar nossa capacidade de“co-pertencimento e co-produção a cada situação vivida”; encontros. Ciência de contato. Saber qual território habitamos, qual é a terra que pisamos quando falamos “cidade”, quais as relações que a constituem, quais são os saberes desautorizados, os saberes sujeitados, os saberes das lutas que desejamos convocar? Uma ciência objetora de tudo que nos envenenou: produtividade, crescimento, competição, originalidade. Uma ciência de combate que acontece entre corpos e suas diferenças.

    Com o acontecimento COVID-19, o Laboratório Zona de Contágio instaura-se como um dispositivo de pesquisa e intervenção namedida em que a produção coletiva de conhecimento sobre as atuais possibilidades de fabricação de uma vida não-fascista torna-se urgente. Se o fortalecimento de governos autoritários já era uma ameaça à vida comum, a intrusão viral potencializa a disseminação de uma cultura imunitária e securitária de contornos fascistas no tecido da própria vida social.

    A crise é maior, é total. Ela nos faz pensar muito concretamente sobre que vida estamos vivendo, qual vida queremos viver  – o vírus, como intruso, fabrica uma das maiores bifurcações da história: a vida tomada como forma securitizada, protegida, entretida, mobilizada para destruir “inimigos”; mas do outro lado, a vida em seu excesso, como forma erótica de habitar o mundo que não queremos perder; uma vida febril que sabe que a liberdade é também interdependência, risco, confusão, travessias. Exu.

  • Análise automática de documentos em ciências sociais e medicina – metodologia e ferramentas

    Análise automática de documentos em ciências sociais e medicina – metodologia e ferramentas

    Dia: 19 de março, quinta-feira.
    Manhã: 9:30hs às 12:30hs (seminário)
    Tarde: 14:00 às 18:00hs (oficina)
    Local: (Unifesp – Reitoria, Anfiteatro – 4o andar. Rua Sena Madureira 1500, 4o andar, Vila Clementino.

    Inscrições: https://sistemas.unifesp.br/acad/proec-siex/index.php?page=INS&acao=1&code=17542

    Seminário: Serão apresentados avanços em classificação, descrição automática e visualização interativa de grandes volumes de documentos textuais com dimensões de metadados, com foco em estudos da ciência (STS) e aplicações em medicina, sociologia e humanidades. O caso em foco será os abstracts da conferência anual da ASCO (American Society for Clinical Oncology) de 1995 à 2017. Será apresentada a inferência, a partir do texto, de domínios e tópicos de pesquisa e, a partir dos metadados, de períodos com dominância de diferentes domínios, como também do papel de diferentes grupos de instituições no progresso da oncologia.

    Oficina: As ferramentas para aplicar essa abordagem fazem parte da Plataforma Cortext, uma infraestrutura europeia de pesquisa em estudos da ciência e inovação. Após o seminário, os interessados poderão participar de uma oficina para se familiarizarem com o uso da plataforma e seus diversos recursos para análise de coleções de documentos. Vagas limitadas a 15 pessoas, inscrição obrigatória.


    Bio: Ale Abdo é pesquisador no LISIS (Laboratoire Interdisciplinaire Sciences Innovations Sociétés) em Paris. Recebeu seu doutorado do Instituto de Física USP, tendo conduzido pesquisas no departamento de sociologia da Columbia University, no ICICT da Fiocruz e no LIM01 da Faculdade de Medicina da USP.

    Organização: Pimentalab e Lab.hum (Unifesp); CorText.

    Referências:

    Abdo AH, Cointet JP, Bourret P, Cambrosio A. Domain-topic models with chained dimensions: charting the evolution of a major oncology conference (1995-2017). (2019). arXiv:1912.13349

    Callon M, Courtial JP, Turner WA, Bauin S. From translations to problematic networks: An introduction to co-word analysis. (1983). Social Science Information, 22(2), 191-235.

    Cambrosio A, Bourret P, Rabeharisoa V, Callon M. Big data and the collective turn in biomedicine: How should we analyze post-genomic practices?. (2014). Tecnoscienza, 5(1), 13-44.

    Fortunato, S., Bergstrom, C., Börner, K., Evans, J., Helbing, D., Milojević, S., et al. (2018). Science of science. Science, 359(6379), eaao0185.

    Shi F, Foster JG, Evans JA. Weaving the fabric of science: Dynamic network models of science’s unfolding structure. (2015). Social Networks, 43, 73–85.

  • Investig(ações) insurgentes: corpos-sensores por uma política experimental da presença

    Ciclo “Habitar as Fronteiras” no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. Dias 7 e 14 de abril de 2020.

    Diante da debilidade existencial intensificada por inúmeros dispositivos de produção de uma vida neoliberal, os encontros convidam ao diálogo pesquisadorxs-praticantes que tencionam as habituais fronteiras entre ciência e luta, vida e política. Assumir a nossa crise da presença como condição de uma vulnerabilidade compartilhada para investigar os diversos dispositivos que a produzem, mas também experimentar como reativar “uma maior atenção ao devir da presença dos entes” no mundo vivo; retomar nossa capacidade de “co-pertencimento e co-produção a cada situação vivida”.

    Partimos de experiências investigativas em que saberes e práticas de lutas emergem de corpos como sensores; formas de vida que sentem, percebem e enunciam, a partir de sua singularidade os diversos dispositivos de erosão do mundo Comum. São também essas experiências que resistem e inventam formas de vida não proprietárias, não securitárias e que intuem que é o movimento de abertura ao acontecimento o que pode sustentar práticas coletivas de insistência na vida como interdependência: tecnologias de aquilombamento, retomadas indígenas, ocupações, as experiências de travessia do corpo-trans, tecnologias de cuidado, territórios do comum e saberes ancestrais/tradicionais, laboratórios cidadãos.

    07/04, terça-feira, das 19h00 às 21h30 – Encontro com Bru Pereira – antropóloga e educadora, mestre em Ciências Sociais pela UNIFESP; Edson Teles – professor de filosofia na UNIFESP; Maria Fernanda Novo – doutora em filosofia pela UNICAMP. Mediação de Jean Tible – professor de Ciência Política (FFLCH/USP).

    14/04 (terça-feira), das 19h00 às 21h30 – Oficina com Alana Moraes – antropóloga, doutoranda pela UFRJ e Henrique Parra – professor de Ciências Sociais da UNIFESP. Pesquisadores do Pimentalab/LAVITS e do coletivo Tramadora.

    Oficina: ao adotar a gestão de crise como técnica de governo, o capital não se limitou apenas a substituir o culto ao progresso pela chantagem da catástrofe, ele quis reservar para si a inteligência estratégica do presente” (C.I). A oficina é um convite para habitar por um pouco mais de tempo os problemas comuns que nos obrigam a pensar juntos. Inspirados na ideia de um “parlamento de corpos” queremos retomar a inteligência compartilhada e a potência da situação presente. O parlamento emergente de corpos afetados se instaura a partir de formas de conhecer que possam transformar (narrar/inventar/mediar) a experiencia de um corpo-sensor em um conhecimento de luta coletiva dos corpos vivos, que nada tem a ver com a produção de maiorias ou consensos. A oficina convida os participantes a investigar o problema da crise da presença diante da crescente mediação técnica da vida social e as consequentes alterações do regime de sensibilidade que sustentam ou destroem um mundo comum. Diante da multiplicidade de dispositivos tecnológicos que fazem da vida uma sequencia prevista de condutas, procedimentos e desempenhos funcionais, praticamos uma atenção àquilo que o corpo não aguenta mais, como ponto de partida da construção de formas de vida não fascistas.

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    corpo-como-sensor é uma proposição ético-política da vida em sua ontologia corpórea extremamente vulnerável, um terreno de travessias e cruzamentos no qual a representação dá lugar à experimentação, à variação e ao risco dos encontros. Em há um mundo por vir? (2015), Viveiros de Castro e Débora Danowski se perguntam quem seria o demos de Gaia, “o povo que se sente reunido e convocado por essa entidade, e quem é seu inimigo” (2015:120). Para os autores, não se trata mais de buscarmos um “sujeito revolucionário”, mas seguir uma etnopolítica que suspenda a própria noção de “sujeito capaz de agir como um só povo”.

    Diante da crise de presença alimentada por inúmeros dispositivos de produção de uma vida neoliberal, o seminário convida ao diálogo praticantes que tensionam as habituais fronteiras entre ciência e política, entre natureza e cultura. Nesse sentido, pensar a nossa crise de presença como condição epocal seria também investigar os diversos dispositivos que a produzem, mas, por outro lado, experimentar como reativar “uma maior atenção ao devir da presença dos entes” no mundo vivo; retomar nossa capacidade de “co-pertencimento e co-produção a cada situação vivida”. Partimos de investigações em que saberes e práticas emergem de corpos-como-sensores; formas de vida que sentem, percebem e enunciam, a partir de sua singularidade os diversos dispositivos de erosão do mundo Comum. São também essas experiências que resistem e inventam formas de vida não proprietárias, não securitárias, experiências que intuem que é o movimento de abertura e composição com o acontecimento de encontros o que pode sustentar práticas de insistência na vida em interdependência: tecnologias de aquilombamento, retomadas indígenas, ocupações, as experiências de travessia do corpo-trans, tecnologias de cuidado, territórios do comum e saberes ancestrais/tradicionais, laboratórios cidadãos.

    Habitar uma política do sintoma que não nos permite “interpretar” tendo em vista um lugar seguro do diagnóstico que contorne ou neutralize o mal-estar.. Nessa condição de precariedade de um mundo sem refúgio, a invenção de linguagens, sentidos compartilhados, infraestruturas e tecnologias de suporte à essas formas de vida é inseparável de uma prática experimental de composições de alianças e arranjos sociotécnicos que dão forma a outras individuações coletivas, a emergentes comunidades de afetados. Trata-se de escapar dos imperativos de resultado e impacto, reino da estratégia e da eficiência tecnocrática, para habitarmos um terreno de experimentações de composições sempre situadas, que funcionem como caixas de ressonância de formas de vida não-fascista.

  • Tecnopolítica, Infraestruturas e as disputas pela arquitetura política

    Tecnopolítica, Infraestruturas e as disputas pela arquitetura política

    Palestrante no Seminários Avançados da FLACSO e Fundação Perseu Abramo – Tecnopolítica, Infraestruturas e as disputas pela arquitetura política, 15 de outubro

    Apresentação + debate: https://youtu.be/aJEmViW_CAM

  • Convocatória: Laboratório do Comum Campos Elíseos

    Convocatória: Laboratório do Comum Campos Elíseos

    Estes tempos nos exigem coragem, mas também uma aposta na pesquisa, na investigação coletiva, em uma ciência aberta que inclua corpos e suas marcas, saberes não autorizados pelo regime de saber-poder.

    Precisamos assumir as perguntas, dar-nos esse tempo do pensar junto, experimentar, criar contra-dispositivos para uma vida não fascista.

    Diante das formas renovadas de produção de desigualdades, do consórcio explícito entre forças autoritárias e as dinâmicas de expropriação da vida e do território, promotoras da crescente militarização, gentrificação, despossessão e tristeza, lançamos perguntas-vinculantes: Como reativar uma possibilidade de inteligência coletiva? Como convocar saberes e práticas coletivas que nos permitam imaginar e disseminar alternativas a esse cenário? Como produzimos e sustentamos o Comum entre todos?

    Convocatória e inscrições AQUI

  • Tecnopolíticas do comum: infraestruturas para o autogoverno

    Tecnopolíticas do comum: infraestruturas para o autogoverno

    Palestra realizada no programa “Politizar as Tecnologias” do Centro Maria Antônia, USP, 29 de agosto: http://www.mariantonia.prceu.usp.br/politizar-as-tecnologias/

  • Seleção de Bolsista Graduação

    O Pimentalab está selecionando bolsista de pesquisa-extensão para o projeto “Laboratório Campos Elíseos: tecnopolíticas do fazer-bairro”. Descrição e edital em anexo (link a abaixo)