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  • Apresentação no Departamento de Historia da Ciência do Instituto de História do CSIC

    Apresentação no Departamento de Historia da Ciência do Instituto de História do CSIC

    Post original: https://www.facebook.com/historiadelacienciacsic/posts/1660404944015568

    El miércoles 17 de enero de 2018 se celebrará una nueva sesión del seminario organizado por el Departamento de Historia de la Ciencia del Instituto de Historia del CSIC.

    En él intervendrán Angela Domingues, de la Universidad de Lisboa, que hablará sobre Nos tempos do Tratado de Madrid: fronteiras coloniais, expediçoes fluviais e representaçoes de indigenas na Amazonia de meados de Setecientos.

    Y Henrique Zoqui Martins Parra, de la Universidad Federal de Sao Paulo, que presentará la comunicación Ciencia abierta y desarrollo en Ubatuba.

    Serán presentados, respectivamente, por nuestros compañeros Miguel Angel Puig-Samper y Antonio Lafuente.

    La sesión pues tienen un carácter lusófono.

    Angela Domingues, experta en la proyección ultramarina de la ciencia portuguesa y en el Brasil colonial, es investigadora en el Departamento de Ciencias Humanas del Instituto de Investigación Científica Tropical e investigadora asociada del Centro de Historia de Alem-Mar.
    Actualmente está integrada en un proyecto de investigación que dirige Miguel Angel Puig-Samper.

    Henrique Parra es profesor doctor del Departamento de Ciencias Sociales de la Escuela de Filosofía y Letras y Ciencias Humanas en la Universidad Federal de Sao Paulo (UNIFESP). Coordina el Laboratorio de Tecnología, Política y Conocimiento (Pimentalab-https://blog.pimentalab.net/) en la UNIFESP. Forma parte de dos grupos insterinstitucionales de investigación: el Laboratorio Interdisciplinario sobre Información y Conocimiento (LIINC -http.//www.liinc.ibict.br) del Instituto Brasileiro em Información em Ciencia y Tecnología (IBICT) y la Red Latinoamericana de Estudios sobre Vigilancia, Tecnología y Sociedad (LAVITS-http://www.lavits.org).

    Realiza actualmente una estancia de investigación, con apoyo financiero del CAPES de Brasil, en nuestro Departamento bajo la supervisión de Antonio Lafuente. Esta estancia tiene como objetivo analizar las configuraciones sociales y los arreglos sociotécnicos de distintos laboratorios ciudadanos, muchos de ellos desarrollados en Medialab-Prado.

    Se puede acceder a parte de su producción científica en https://pimentalab.milharal.org/txt/
    y a su curriculum vitae en http://lattes.cnpq.br/8314245614310718

    El resumen de la comunicación que presentará Henrique Parra en el seminario es el siguiente:

    This chapter aims to present results of a case study on the possibilities and limits of open and collaborative science (OCS) in social change processes, based on the results of an action-research project developed in the Ubatuba municipality, on the North Coast of the State of São Paulo, Brazil. The question underlying our investigation was to what extent Open Science may improve forms of co-production of knowledge between academia and other social groups, and hence contribute towards improved conditions for vulnerable actors to influence development strategies. From the outset, questions arise: what development? What science? What openness and collaboration?
    The study methodology was organized along two axes – practical learning and critical research -, developed through the following actions:

    (a) promotion of open workshops, working groups, seminars, and mentoring activities, stimulating discussions about and experimentation with Open Science practices and tools with local actors;
    (b) participant observation of public meetings and activities, selected for their potential relationship with the open and collaborative production of knowledge pertaining to local development issues;
    (c) data collection for socioeconomic characterization of the Ubatuba municipality and its major development challenges;
    (d) interviews with key actors; 
    (e) social networks analysis to better understand local interactions among actors; and also 
    (f) a characterization of scientific publications related to Ubatuba as a field or object of study (authorship, institutional and field of research distribution, open and closed access to papers).

    A necessary component of the research methodology was the development of communication channels and documentation strategies, including a project wiki, website/blog, mailing lists, community radio programs and videos. In the final phase of the project we developed a prototype of a geospatial open data plataform as a result of the common problems identified to information and knowledge management by local actors, as part of an open science experiment.

  • Mutações e crise na universidade: experimentações com ciência cidadã (parte 1)

    Mutações e crise na universidade: experimentações com ciência cidadã (parte 1)

     

    Publico abaixo a primeira parte de um texto que está dividido em dois posts. O argumento que vou apresentar está assim dividido: 1. a universidade pública e o campo científico estão passando por profundas transformações e por uma crise de reconhecimento social e legitimidade política. Nesta crise, para além das dinâmicas externas (política, economia etc) ao campo universitário e científico  é necessário analisar as próprias dinâmicas e mutações do regime de produção e difusão de conhecimentos e suas práticas institucionais. 2. experiências de ciência cidadã, ciência aberta e laboratórios cidadãos podem contribuir para a criação de novas interações entre o campo científico e o mundo extra-acadêmico, criando relações sinérgicas entre sociedade-ciência-universidade.

     

    foto: Daniel Leal-Olivas (AFP)

    ***

    Experiências de contraste nos ajudam a ter ideias inesperadas e a tornar visível dimensões não exploradas de problemas comuns. Nas últimas semanas acompanhei pela imprensa eventos preocupantes que afetam diretamente o financiamento, os direitos dos trabalhadores e a reputação das universidades públicas e ao sistema brasileiro de produção científica [1]. Ao mesmo tempo, na contra-corrente deste processo, participei de um seminário sobre Ciência Cidadã no Medialab-Prado [2] que reuniu uma diversidade de formas inventivas de interação entre a pesquisa científica e o mundo extra-científico.

     

    Parte 1: mutações e crise da universidade e do campo científico

    Além dos cortes no orçamento público federal destinados à Ciência, Tecnologia e Inovação, e da drástica redução de recursos para as universidades públicas federais, acompanhamos neste ano uma investida do judiciário, polícia e mídia contra universidades brasileiras de reconhecida reputação. Reitores, professores ou técnicos sofreram com o abuso da aplicação de medidas coercitivas autorizadas pela justiça e realizadas de forma espetacular pela polícia federal, ferindo direitos fundamentais de um regime democrático. No momento atual, não paramos de nos surpreender com as novas bordas de aplicação da nossa democracia autoritária, onde os mecanismos do estado de exceção nunca deixaram de operar (veja o trabalho de Edson Teles).

    Neste mesmo ano, editoriais de grandes jornais retomam seu habitual argumento contra o financiamento público e pela cobrança de mensalidades nas universidades públicas brasileiras. Mais recentemente, um relatório do Banco Mundial (cuja qualidade metodológica da investigação foi amplamente questionada – veja artigo de Tatiana Roque e Hedibert Lopes) adiciona mais elementos na disputa discursiva e política sobre o futuro do ensino superior brasileiro. Nas universidades privadas observamos ainda a tentativa de aplicação da nova lei trabalhista para realizar demissões em massa e para em seguir fazer novas contratações precárias. Em algumas instituições o número de professores demitidos seria superior a 1000 docentes.

    O que mais impressiona neste período é a intensidade e a velocidade em que o desmonte é feito: “o golpe vem a galope” (aqui também). Diferentes processos que afetam o campo científico e o ensino público superior, independente de uma causalidade coordenada ou não, acabam por gerar efeitos de reforço mútuo no atual contexto. Isso é suficiente para aumentar nossa preocupação. A situação vivida pela UERJ é um duplo escândalo: o abandono do governo de uma importante instituição de ensino e pesquisa, e a frágil ação política e solidária do meio acadêmico no apoio à luta dos professores, funcionários e estudantes.

    Cortes nos investimentos em ciência e educação indicam mudanças nas estratégicas de desenvolvimento nacional, nas políticas de expansão do ensino superior e de inclusão de novos estudantes, mas também refletem o resultado de uma forte disputa sobre o mercado do ensino superior, que no Brasil representa um recurso com elevado potencial de exploração econômica.

    Mas há outros processos em curso. Não podemos ignorar que as dinâmicas de produção, acesso e apropriação da informação e do conhecimento transformaram-se radicalmente nas últimas décadas, assim como a interpenetração entre ciência, tecnologia e economia. Há mudanças na centralidade, no regime de autoridade do conhecimento científico e no relativo monopólio sobre a produção e difusão de determinados conhecimentos que antes eram de quase exclusividade universitária. Hoje, deparamo-nos com novas formas de certificação e de validação dos saberes, com a emergência de contra-expertises, expansão dos movimentos de acesso aberto ao conhecimento científico e multiplicam-se os atores cognitivos relevantes que disputam a interpretação do “real e verdadeiro”. Observamos novas dinâmicas de corporatização e expansão dos regimes de propriedade intelectual sobre a pesquisa científica, crescimento do ensino à distância, surgimento de institutos de formação superior criados por empresas privadas que demandam profissionais com conhecimentos específicos, e também o crescimento das grandes corporações transnacionais e redes de ensino superior privado. Expansão do acesso à universidade publica no Brasil, com novos públicos adentrando o ensino superior, mas também a ampliação do ensino superior privado mediante políticas de subsídio e financiamento para as universidades e estudantes. Em resumo, são muitas as transformações estruturais nesta área.

    Essas transformações infraestruturais relacionam-se também a mudanças radicais na forma como organizamos, classificamos e disponibilizamos o acervo de conhecimento produzido. As formas de armazenamento, indexação, circulação e acesso são muito distintas, dando forma a novas políticas e economias da informação, do conhecimento e da memória. O lugar ocupado pelas universidades, escolas, arquivos, bibliotecas, museus, centros de pesquisa e memória estão em plena mutação.

    Nesses movimentos tectônicos, sobre as quais as universidades se equilibram, as instituições de ensino superior brasileiras parecem não gozar do reconhecimento social e da legitimidade política que corresponderia às suas realizações na pesquisa e na formação de milhares de estudantes e cientistas. Este problema não é especifico do Brasil.

    Mesmo em algumas sociedades onde a cultura científica tem maior presença e capilaridade social, os diversos atores que compõem o campo científico e universitário tem tido dificuldades para se organizar politicamente e mobilizar a opinião pública para impedir os cortes no financiamento e o processo de desmonte dos sistemas nacionais de ensino e pesquisa. Limitação similar se manifesta na dificuldade para implementar nas políticas públicas alguns consensos científicos (sempre provisórios) que apontam para outros modelos de desenvolvimento. Basta pensar na política ambiental, saúde coletiva, política urbana, segurança alimentar etc.

    A emergência de campanhas como a “Marcha pela Ciência” nos Estados Unidos e no Brasil é um exemplo dessas lutas reativas. No caso da edição brasileira de 2017 o engajamento de organizações científicas, pesquisadores e professores universitários foi muito pequeno e sua repercussão política foi ínfima. As razões para essa desmobilização interna ao campo e para a dificuldade de sensibilização dos públicos concernidos são várias.

    Para superação desses problemas não é suficiente que a universidade e seus múltiplos atores olhem apenas para as dinâmicas externas ao seu campo e suas instituições. Insistir em teses conspiratórias ou excessivamente ideológicas que tendem a criar uma narrativa coerente onde a universidade está colocada no centro passivo de um plano de ataque é insuficiente. Equivoca-se também ao dar unidade e coerência a uma arena de conflitos que é muito complexa. Mas o maior problema, nessa perspectiva, é ignorar a forma como a própria dinâmica institucional, nossas práticas científicas e acadêmicas, as dinâmicas de produção, formação e difusão do conhecimentos participam da construção dessas transformações e dos problemas descritos. Em suma, é hora de habitarmos este problema e fazê-lo nosso também.

    Que relações podemos estabelecer entre a crescente institucionalização e profissionalização do campo científico e do ensino superior com as dinâmicas que fortalecem ou enfraquecem o reconhecimento social e a legitimidade da ciência e do ensino superior?

    Foi graças à construção de uma autonomia (sempre relativa) do campo científico e universitário que obtivemos o desenvolvimento de muitas áreas do conhecimento, novas ciências, tecnologias e práticas em diversos campos da vida. Ao mesmo tempo, em que medida este mesmo processo compõe uma arquitetura que produz formas de relação instrumental ou subordinada com o mundo extra-acadêmico (numa via de mão dupla) e dificulta a possibilidade de trocas sinérgicas entre ciência, universidade e sociedade? Que dinâmicas institucionais, que formas de produção de conhecimento e que modos de relação podemos fomentar para transformar essa situação atual?

    Não se trata de tentar restabelecer a centralidade ou exclusividade da universidade sobre a produção e difusão de determinados saberes, ou mesmo de reafirmar uma certa ideia de autonomia do campo (científico e universitário). Afinal, foi justamente a partir deste desenho que acompanhamos a corporatização-privatização do conhecimento, a hegemonia da tecnociência, o enfraquecimento de algumas áreas no conhecimento consideradas inúteis ao desenvolvimento econômico, a perda de relevância e influência política da ciência no debate político e a penetração da lógica competitiva e utilitária em quase todas nossas práticas de conhecer. Não é coincidência que esta dinâmica produza também um modo de ser professor, estudante e pesquisador que hoje concentra elevados percentuais de problemas de saúde mental.

    Necessitamos de outros sentidos para a experiência universitária que afirmem sua especificidade. Habitar a crise que vivemos e produzimos exige que pensemos mais em termos de interdependência entre diferentes campos sociais, práticas e modos de conhecer. Como fazer conviver uma ciência pública com uma ciência comum? Como fazer cohabitar um conhecimento “para todos” e um conhecer “entre todos”?

    PS: este post é parte da série de relatos que irei realizar durante o período de pós-doc em Madrid. Os post publicados estão todos disponíveis neste link: https://pimentalab.milharal.org/category/diario-madrid/

    Mais informações sobre o projeto atual: http://wiki.pimentalab.net/index.php?title=Projetos_Pesquisa

  • Sentidos de um laboratório cidadão, por Antonio Lafuente

    Sentidos de um laboratório cidadão, por Antonio Lafuente

    Em setembro dei uma entrevista para a Revista FAPESP, falando sobre ciência cidadã e aberta, relatando nossa experiência com o projeto Ciência Aberta Ubatuba. O Antonio Lafuente também foi entrevistado, mas preferiu enviar suas respostas por escrito para o jornalista (Bruno de Pierro). Na reportagem apenas uma pequena parte do que falamos (como é habitual) entra no texto final. Mas o Antonio acabou disponibilizando na internet o texto que escreveu para a entrevista. Numa das respostas achei uma definição interessante, dada sua amplitude e clareza, para a noção de laboratório cidadão. Transcrevi e traduzi abaixo este trecho:

    —

    Revista FAPESP: O que são os Laboratórios Cidadãos? Há algum exemplo notório dessa iniciativa no mundo?

    Antonio Lafuente:  Um laboratório cidadão é um espaço de produção aberta do conhecimento.
    É um lugar capaz de acolher um coletivo heterogêneo de atores que almejam dar forma a um entorno social. É portanto um lugar onde nos obrigamos a identificar uma problemática, documentá-la, isolar suas características mais notáveis, contrastar os distintos pontos de vista, explorar as diferentes formas de abordagem, extrair conclusões e comunicar as descobertas, dúvidas e fracassos. Aqueles que a integram se autoconfiguram como uma comunidade de aprendizagem aberta a toda variedade de atores e a toda pluralidade de pontos de vista. De forma que sua primeira tarefa é encontrar uma linguagem comum, ou seja, um espaço que torne possível a conversação sem que ninguém imponha seu ponto de vista e sem que ninguém tenha o poder de fechar/bloquear um tema porque considera que já se discutiu o suficiente.

    Um laboratório cidadão é, portanto, um espaço para aprender a viver juntos: uma incubadora de comunidades. Um laboratório cidadão é um espaço, por antonomásia, para a política experimental, pois sendo hospitaleiro com as minorias e tratando-as como sensores de aviso antecipado de problemas porvir, estaríamos encontrando respostas situadas e inclusivas para assuntos todavia incipientes e talvez mais frequentes, gerais ou agudos no futuro.

    É um laboratório porque aposta na cultura experimental, no contraste de pontos de vista, nas práticas abertas e na comunicação pública. É cidadão porque confia na inteligência coletiva e outorga maior dignidade cognitiva ao experiencial, o que é o mesmo que dizer que um laboratório cidadão nunca dividirá o mundo entre os que sabem e os que não sabem.

    As práticas do laboratório cidadão são realizadas entre todos e, consequentemente, dá-se forma a bens comuns. Eu gosto de especular a ideia de que sempre que há um bem comum é necessário que haja um laboratório que o sustente e que é sustentado por ele. Como o procomúm poderia sobreviver a impérios, autoritarismos, neoliberalismos e a circunstâncias tão hostis não fosse pela comunidade que o sustenta (e que é sustentada por este comum), que nos dão provas constantes de saber adaptar-se e de interpretar corretamente os signos externos?

    Criar e sustentar um bem comum demanda muito conhecimento, muita capacidade de análise ou, em outras palavas, um laboratório cidadão plenamente operativo. Mas vejam, plenamente operativo não quer dizer que necessite de um edifício, um chefe, um regramento estrito ou uma maquinaria sofisticada. Não é nem necessário, como é o ordinário, saber que é um laboratório cidadão. O que importa é que se dê uma pequena infraestrutura capaz de dar forma a sua vontade de querer (sobre)viver, que o ajude a converter o protesto em propostas, o experiencial em conhecimento contrastado e as pequenas infraestruturas em garantidoras do seu direito à diferença.

    Há exemplos? Muitos e em todas as partes. Diga-me um bem comum e te mostrarei um laboratório cidadão! Mas também, vale a equação inversa: dê-me um laboratório cidadão e construirei um bem comum. Os grupos de Alcoólatras Anônimos, talvez sem sabê-lo, seriam um laboratório cidadão que estaria iluminando uma maneira distinta de nos relacionarmos com o corpo, uma corpo tal que conversa com termos distintos, que evoca diferentes experiências: um corpo comum. Em Madrid, como em muitas outras cidades do mundo abundam as hortas urbanas, muitas vezes nascidas em espaços ocupados e mais tarde legalizados. O que está acontecendo, o que significa isso? Para mim, são laboratórios cidadãos onde se está experimentando outras formas de habitar a cidade, distintos modos de nos conectarmos que não estejam mediados (o determinados) pelo consumo, pelo valor ou pela utilidade. Estamos, entre todos, dando forma à ideia de que uma cidade são suas relações e não suas construções. Estamos reinventando a cidade como um espaço comum. Temos dado diferentes nomes a esses movimentos e mobilizações, como urbanismo-beta, urbanismo-feito-a-mão, urbanismo-faça-você-mesmo. Todos têm em comum a vontade de fazer coisas juntos, de disputar com os urbanistas sua hegemonia sobre a urbe e, enfim, de mostrar que outro mundo é possível: será vulnerável, será transitório, será esporádico,….mas será de todos e de ninguém ao mesmo tempo. Sua fragilidade é o que tem de amoroso, como também sua transitoriedade, este não estar quieto, ou seu querer devir outra coisa, é o que o a faz habitável. Sua natureza intermitente ou efêmera também pode ser vivida como uma proteção face às formas identitárias de nos agruparmos, sempre tão atrativas ao princípio como coercitivas para aqueles que querem discordar ou ser diferentes.

     

  • Pesquisas científicas realizadas com a participação de leigos ganham espaço

    Pesquisas científicas realizadas com a participação de leigos ganham espaço

    Fonte: Reportagem da Revista FAPESP:

    por BRUNO DE PIERRO | ED. 259 | SETEMBRO 2017

    Momentos antes de o eclipse total do Sol atravessar os Estados Unidos de costa a costa no dia 21 de agosto, a agência espacial norte-americana (Nasa) convidou o público para colaborar em um experimento bastante simples. Munidos de termômetros e smartphones, milhares de voluntários espalhados pelo país foram instruídos a baixar um aplicativo e registrar nele eventuais mudanças de temperatura no ambiente durante o eclipse. Os participantes também deveriam reportar se a velocidade e a direção das nuvens sofreram alterações abruptas. As informações coletadas pelos celulares abasteceram uma base de dados e serão utilizadas em estudos ambientais. “A população pode nos ajudar a entender quais são os efeitos de um evento raro, como o eclipse solar, na atmosfera”, disse à rede de televisão Fox News Elizabeth MacDonald, pesquisadora da agência.

    A iniciativa é inspirada em um modelo conhecido como ciência cidadã, que estimula a produção do conhecimento por meio da colaboração entre pesquisadores e público leigo. A participação de amadores na atividade científica não é novidade – a figura do cientista profissional só surgiu no século XIX. Nas últimas décadas, com o uso de tecnologias digitais, tornou-se recorrente pesquisadores convidarem o público para cooperar, por exemplo, na coleta de dados meteorológicos ou no mapeamento de espécies. “Mídias sociais, bases de dados eletrônicas e dispositivos como tablets e smartphones oferecem novas possibilidades de compartilhar ideias e informações entre cientistas e cidadãos”, avalia o biólogo Robert Stevenson, professor da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, um estudioso da ciência cidadã.

    Nos últimos anos, organizações como os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e a National Science Foundation (NSF), nos Estados Unidos, passaram a apoiar projetos que incluem ciência cidadã e estudos que buscam as melhores práticas para assegurar a integridade científica em pesquisas feitas em colaboração com o público. No ano passado, a Comissão Europeia se comprometeu a financiar, por meio do programa Horizonte 2020, projetos que envolvem ciência cidadã. A iniciativa é uma parceria com o Doing it Together Science, um consórcio formado por instituições científicas e organizações não governamentais sob coordenação do University College London, no Reino Unido. No Brasil, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), um projeto do governo federal, anunciou em fevereiro que irá apoiar a formação de uma Rede Brasileira de Ciência Cidadã em Biodiversidade, em que cidadãos ajudarão no monitoramento de espécies.

    Algumas experiências bem-sucedidas que ganharam proporções globais nos últimos anos inspiram os novos projetos. Uma delas é o eBird, iniciativa lançada em 2002 pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, que reúne dados de aves fornecidos por observadores amadores e ornitólogos. A plataforma tem mais de 300 mil usuários de 252 países e cerca de 300 milhões de registros de aproximadamente 10.300 espécies de aves. Uma versão brasileira do eBird está em funcionamento desde 2015 (ver Pesquisa FAPESP nº 245). “Em 16 anos de existência, o eBird tornou-se uma referência em estudos de aves e gera conhecimento capaz de auxiliar na elaboração de estratégias para a conservação da biodiversidade”, afirma Stevenson.

    Outra iniciativa é o Galaxy Zoo, criado por pesquisadores vinculados a várias instituições norte-americanas que convocam astrônomos amadores para ajudar a classificar imagens de galáxias geradas por telescópios. Desde seu lançamento em 2007, a comunidade do Galaxy Zoo identificou um conjunto de galáxias e muitas dessas descobertas foram relatadas em artigos científicos. A astronomia talvez seja o campo do conhecimento em que a participação do público ocorra há mais tempo. “Após a publicação dos trabalhos do italiano Galileu Galilei, começaram a aparecer sociedades civis de observação do céu”, comenta Augusto Damineli, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Atualmente, com a ampliação do acesso a telescópios de pequeno porte e da circulação de imagens de satélites em sites especializados, a astronomia amadora participa da identificação de estrelas, asteroides e planetas. No início do ano, o mecânico e astrônomo amador australiano Andrew Grey descobriu um sistema formado por quatro exoplanetas, após avaliar mais de mil imagens de estrelas registradas pelo telescópio Kepler, da Nasa, disponibilizadas na internet pela plataforma Exoplanet Explorers. O feito foi validado por astrônomos profissionais e rendeu a publicação de um paper, com Grey como coautor.

    “Eu mesmo já publiquei em coautoria com não acadêmicos”, sublinha Damineli. Em 2014, ele coordenou uma pesquisa sobre o apagão da Eta Carinae, sistema composto por duas estrelas, registrado naquele ano. “Era necessário observar ao longo de 10 meses seguidos, todas as noites, utilizando espectroscopia”, conta. “Divulgamos uma chamada internacional pedindo a colaboração de amadores e obtivemos ajuda de quatro voluntários na Nova Zelândia e na Austrália.” Os dados de observação foram determinantes na descrição de um novo fenômeno, a formação de um buraco na superfície da estrela (ver Pesquisa FAPESP nº 244).

    Uma das principais contribuições da colaboração do público em pesquisas é a produção de informações que talvez não pudessem ser geradas de outra maneira – em parte porque as iniciativas têm potencial para mobilizar um grande número de voluntários na coleta de dados em áreas extensas e durante longos períodos. Mas o modelo ainda encontra resistências. “Muitos pesquisadores têm receio de trabalhar com pessoas sem formação científica”, afirma Stevenson. Um dos motivos, ele explica, é a desconfiança em relação à qualidade dos dados produzidos. “Os projetos de ciência cidadã devem adotar procedimentos rigorosos para assegurar a validade dos dados.” Para a pesquisadora Andrea Wiggins, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, projetos bem-sucedidos como o eBird dependem de um conjunto de metodologias capazes de aumentar a precisão dos dados. “Trata-se de oferecer aos voluntários treinamento técnico para executar as tarefas propostas pelos cientistas. Além disso, os dados coletados pelos cidadãos devem passar pelo crivo de especialistas”, escreveu Wiggins em artigo publicado em 2016.

    Na Universidade Federal do ABC (UFABC), um grupo de pesquisadores propõe, aplica e avalia protocolos que orientam o trabalho de voluntários em projetos de ciência cidadã. “Elaboramos um passo a passo que mostra ao participante, em linguagem clara e objetiva, os objetivos da pesquisa e recomendações que devem ser seguidas durante o trabalho”, explica a bióloga Natália Pirani Ghilardi-Lopes, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Ciência Cidadã da UFABC. A finalidade, diz ela, é estabelecer padrões para que a obtenção e a análise de dados sejam feitas com o máximo de precisão possível. Essa metodologia vem sendo testada em alguns estudos do grupo. Um deles é o mestrado da bióloga Larissa de Araújo Kawabe, que envolve dados obtidos na Estação Ecológica Tupinambás, no litoral norte de São Paulo. O projeto conta com a participação de funcionários da estação que são mergulhadores e que, munidos de câmeras subaquáticas, ajudam a coletar imagens dos costões rochosos na ilha das Palmas. O objetivo é monitorar organismos marinhos, como algas e esponjas.

    Posteriormente, para a análise das fotos, os participantes passam por um treinamento de quatro horas – uma das diretrizes do protocolo. “Explicamos a eles como as fotografias foram obtidas e como devem ser analisadas posteriormente”, conta Larissa. Ela enfatiza que os voluntários participam não só da obtenção das fotos, mas também da identificação de organismos. Estudos como esse, por exemplo, podem servir para detectar precocemente a presença de espécies exóticas, como o coral-sol, fotografado na estação ecológica. Trata-se de uma espécie que está se espalhando pela costa brasileira, competindo com espécies nativas.

    Boa parte dos projetos envolve o público exclusivamente na coleta de dados, mas alguns pesquisadores veem outras formas de participação dos amadores. De acordo com a cientista social Sarita Albagli, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), é possível identificar duas grandes abordagens de ciência cidadã. A primeira utiliza voluntários para aumentar a velocidade e a quantidade da coleta de dados. “A segunda promove o envolvimento dos cidadãos também na discussão sobre as próprias questões e objetivos da pesquisa, com base nos conhecimentos obtidos a partir de suas experiências”, afirma Sarita, que coordenou um projeto em Ubatuba que buscou incorporar essa concepção de participação cidadã na pesquisa. Para Stevenson, da Universidade de Massachusetts, envolver o público em todas as etapas da pesquisa nem sempre é factível. “Há temas que não despertam tanto interesse do público e outros que exigem das pessoas muito tempo de treinamento e dedicação”, diz ele.

    Algumas experiências internacionais têm incentivado interações mais profundas. Uma delas é o MediaLab-Prado, espaço cultural criado há 10 anos pela prefeitura de Madri, na Espanha, conhecido pela difusão de um modelo de laboratório cidadão. Pesquisadores, ativistas e cidadãos reúnem-se para investigar possíveis soluções de problemas, em diferentes linhas de pesquisa, como urbanismo, participação social e tecnologias sociais. “Essa iniciativa passou a promover, por meio de editais públicos, experiências de investigação colaborativa e inovação social que receberam o nome de laboratórios cidadãos”, explica Henrique Parra, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atualmente em um estágio de pós-doutorado no Conselho Superior de Investigação Científica da Espanha.

    Qualquer pessoa que tenha uma proposta de pesquisa pode concorrer aos editais do MediaLab-Prado. Se o projeto for aprovado, o participante passa a fazer parte de uma rede de colaboradores acadêmicos e não acadêmicos, que poderão ajudar no desenvolvimento do trabalho. Antonio Lafuente, pesquisador do Centro de Ciências Humanas e Sociais do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha e um dos diretores do MediaLab-Prado, explica que a ideia é criar ambientes onde problemas possam ser identificados, documentados e contrastados com diferentes pontos de vista. “Uma enorme quantidade de conhecimento emerge fora das universidades e instituições de pesquisa. Não se trata mais de separar o mundo entre os que sabem e os que não sabem, mas de unir experiências”, propõe Lafuente.

    Ainda que pontuais, outras iniciativas semelhantes ao MediaLab-Prado buscam propor formas mais amplas de colaboração na ciência. O Public Lab, por exemplo, nasceu após o vazamento de petróleo no golfo do México em 2010. Diante da falta de informações oficiais sobre o desastre, moradores da costa sul dos Estados Unidos, em parceria com pesquisadores e engenheiros, construíram pequenos sistemas de monitoramento utilizando balões e câmeras digitais para coletar imagens em tempo real. Foram produzidas mais de 100 mil imagens aéreas de alta resolução. O episódio levou à criação de uma comunidade aberta, o Public Lab, hoje mantido por doações de instituições como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a NSF.

  • Introdução Dossiê Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos

    Introdução Dossiê Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos

    Ciência Cidadã, Laboratórios Cidadãos e Produção do Comum

    Henrique Zoqui Martins Parra
    Mariano Fressoli
    Antonio Lafuente

    O dossiê Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos logrou reunir um conjunto expressivo de artigos, resultando numa instigante caracterização desse campo de práticas. Além da diversidade de origem geográfica (Europa, África, América Latina e do Norte), os autores e autoras possuem inserções que transitam entre universidades, organizações comunitárias e não governamentais, movimentos sociais e coletivos ativistas. Interessante destacar que a maior parte dos trabalhos recebidos nesta chamada é de relatos de experiências empíricas empreendidas pelos próprios autores. Os artigos de análise teórica, por sua vez, realizam problematizações mais amplas acerca dos desafios acumulados sobre essa diversidade de experiências em diferentes contextos. A combinação desse esforço de análise teórica e descrição de experiências reforça a percepção de que estamos diante de um fenômeno heterogêneo, dinâmico e com efeitos ainda pouco conhecidos.

    Essa multiplicidade de práticas e de espaços alternativos de produção de conhecimento recompõe as fronteiras e as identidades entre cientistas experts e os diversos públicos, mas também entre o laboratório acadêmico e o laboratório cidadão. As tecnologias de informação e comunicação digital, com sua presença ubíqua em diferentes domínios da vida social, as interseções entre a cultura hacker, a cultura científica e as novas formas de ativismo, compõem essa paisagem. Tais mutações não podem ser dissociadas das transformações e intensa crise pela qual os sistemas de representação política em diversos países estão passando. Nesse sentido, as noções de “ciência cidadã” e “laboratórios cidadãos” criam novas tensões e composições entre a ciência e a política: amplia-se o campo das práticas e espaços estabelecidos de produção de conhecimento científico; ao mesmo tempo em que se interrogam as formas de participação política.

    TEXTO INTEGRAL

    e aqui também: PDF.

     

  • Dossiê Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos – Revista LIINC – IBICT

    Dossiê Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos – Revista LIINC – IBICT

    É com alegria que anuncio que está no ar o Dossie Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos, na revista LIINC do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.

    O dossie resulta de um intenso trabalho coletivo de meses. Realizei a coordenação editorial junto com Mariano Fressoli (Conicet – Cenit – Buenos Aires) e Antonio Lafuente (CSIC – Madrid). Contamos com o apoio da Sarita Albagli (IBICT) e Maria Lucia Novo Maciel (UFRJ) responsáveis pela LIINC, e com o trabalho cuidadoso da equipe de editoração, revisão e tradução (Christine Alvarez, Benjamin Albagli e Helena Faia). A participação de inúmeros pareceristas (no mínimo dois por artigo) também foi essencial para a qualidade do trabalho (estão todos listados nos agradecimentos do dossie).

    Publicamos uma bela e grande seleção de 19 trabalhos, com textos provenientes do Brasil, América Latina e do Norte, Europa e África, em português, espanhol e inglês. Neste percurso de edição e com os pareceres que foram chegando, acabamos organizando os textos aprovados e revistos em dois grandes blocos: artigos (enfase mais teórica) e relatos empíricos de experiências.

    Espero que o dossiê contribua para disseminar este debate aqui no Brasil e também para inspirar outros arranjos possíveis para produção de conhecimento científico, acadêmico e extra-acadêmico.

     

     

     

  • Aula – Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos – curso de extensão

    Aula – Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos – curso de extensão

    Aula ministrada no Minicurso Diálogos de pesquisa: ciência aberta, ciência cidadã, ciência comum

     

    Vídeos: Parte 01 / Parte 02

    Slides apresentados: slides-aula-ciencia-cidada-laboratorio-cidadao

     

    Leitura:

    PARRA, Henrique Z. M. Ciência Cidadã: modos de participação e ativismo informacional. In: Sarita Albagli, Maria Lucia Maciel e Alexandre Hannud Abdo (orgs.). Ciência aberta, questões abertas , Brasília: IBICT; Rio de Janeiro: UNIRIO, 2015. http://livroaberto.ibict.br/handle/1/1060

    RIESCH, H.; POTTER, C.and DAVIES, L. “Combining citizen science and public engagement: the Open Air Laboratories Programme”, JCOM 12(03) (2013) A03 https://jcom.sissa.it/sites/default/files/documents/JCOM1203(2013)A03.pdf

    HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pago, n.5, 1995, pp.7-41. http://www.clam.org.br/bibliotecadigital/uploads/publicacoes/1065_926_hARAWAY.pdf

    Bibliografia complementar:

    BONNEY, R. BALLARD, H. , JORDAN, R. et al. Public participation in scientific research: defining the field and assessing its potential for informal science education, Centre for Advancement of Informal Science Education (CAISE) Washington, U.S.A. 2009. http://www.birds.cornell.edu/citscitoolkit/publications/CAISE-PPSR-report-2009.pdf

    FECHER, Benedikt. Impact of Social Sciences – The great potential of citizen science: restoring the role of tacit knowledge and amateur discovery. http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2014/11/05/the-great-potential-of-citizen-science/2014.

    HALAVAIS, Alexander. Home made big data? Challenges and opportunities for participatory social research. First Monday, Vol. 18, n.10, 7 october 2013. http://firstmonday.org/article/view/4876/3754

    SINTOMER, Yves. Saberes dos cidadãos e saber político. Revista Crítica de Ciências Sociais (online), 91/2010. Disponivel em: http://rccs.revues.org/4185

    STILGOE, J. Citizen Scientists: reconnecting science with civil society, Demos, London, U.K, 2009. https://www.demos.co.uk/files/Citizen_Scientists_-_web.pdf

    ZOONEN, Lisbet van. I-Pistemology: changing truth claims in popular and political culture. European Journal of Communication, 2012, 27:56. http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0267323112438808

  • Diálogos de pesquisa: ciência aberta, ciência cidadã, ciência comum

    Minicurso Diálogos de Pesquisa
    Diálogos de pesquisa: ciência aberta, ciência cidadã, ciência comum

    Realização: Grupo de Pesquisa em Ciência Aberta do Liinc

    Programação completa e inscrições: http://www.liinc.ibict.br/eventos/mini-curso-dialogos-de-pesquisa/

    As sessões contarão com transmissão ao vivo no canal do Liinc no YouTube disponível no endereço https://www.youtube.com/LiincVideos

    Programação:

    27/03 – Abertura em questão: ciência aberta e ciência comum
    03/04 – Produção Colaborativa em Debate
    10/04 – Comunicação Científica e Publicação Aberta
    17/04 – Visualização de Dados na Ciência Aberta e na Ciência Cidadã
    24/04 – Regimes Emergentes de Apropriação do Conhecimento
    08/05 – Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos
    15/05 – Dados Científicos Abertos
    22/05 – Ciência Aberta e Humanidades Digitais

  • Convocatória Artigos: Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos

    http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/announcement/view/25

    [en] CALL FOR PAPERS Liinc em Revista: “Citizen Science and Citizen Labs”
    [pt] CHAMADA da Liinc em Revista: “Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos”
    [es] LLAMADA DE ARTÍCULOS Liinc em Revista: “Ciencia ciudadana y
    laboratorios ciudadanos”

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    [en] CALL FOR PAPERS Liinc em Revista: “Citizen Science and Citizen Labs”

    Liinc em Revista is inviting submission of articles, subject to
    double-blind evaluation, for publication in Vol. 13, n. 1 (May 2017). We
    accept unpublished articles in Portuguese, Spanish and English.

    This issue will present a dossier on “Citizen Science and Citizen Labs”,
    organized by Guest Editors Henrique Parra (Unifesp, São Paulo), Mariano
    Fressoli (Cenit, Buenos Aires) and Antonio Lafuente (CSIC, Madri),
    within the theme proposed below.

    Social studies of science and technology have observed in the last few
    years the emergence of multiple practices and alternative spaces of
    knowledge production, redesigning identities and frontiers between
    scientists and a concerned public, between the scientific laboratory and
    the citizen laboratory.

    Inspired by the more critical tendencies of collaborative science and
    research “in the wild”, of open or citizen science, and by a tense
    dialogue with the dynamics of biopolitical government and of
    commodification of knowledge, there are new cognitive and political
    actors whose practices we wish to investigate.

    *Contributions to this dossier may include topics such as:
    *Open science, citizen science and “common” science
    *Science and the production of the common
    *Communities of practice, epistemic communities, and counter-expertise
    *Citizen labs and political experimentation
    *Fablabs, hackerspaces, and the maker movement
    *Open science and grassroots innovation movements
    *Production of counter-hegemonic scientific knowledge and
    technological appropriation
    *Protocols, infrastructures, technologies and modes of organization
    for open and collaborative production of knowledge.

    The dossier will also include a section for texts recounting innovative
    experiences within these topics.

    First authors of the articles should have doctoral or master degrees.
    This rule does not apply to accounts of experiences. Other guidelines
    for authors can be found at:
    http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/about/submissions#authorGuidelines

    Apart from the dossier, we also accept articles and reviews on other
    topics within the range of interest of Liinc em Revista.

    PERIOD OF SUBMISSION: FROM SEPTEMBER 15, 2016 TO JANUARY 31, 2017 at
    http://www.ibict.br/liinc

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    [pt] CHAMADA da Liinc em Revista: “Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos”

    A Liinc em Revista está aberta à submissão de artigos, para avaliação às
    cegas por pares, para publicação no número 1, volume 13, de maio de
    2017. Aceitam-se artigos originais em português, espanhol e inglês.

    Esse número conterá o dossiê “Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadãos”,
    organizado pelos professores Henrique Parra (Unifesp, São Paulo),
    Mariano Fressoli (Cenit, Buenos Aires) e Antonio Lafuente (CSIC, Madri),
    cuja ementa é a que segue.

    Os estudos sociais em ciência e tecnologia têm observado, nos últimos
    anos, a emergência de uma multiplicidade de práticas e espaços
    alternativos de produção de conhecimento, recompondo as fronteiras e as
    identidades entre cientistas experts e público engajado, entre o
    laboratório científico e o laboratório cidadão. Inspiradas nas vertentes
    mais críticas da pesquisa “selvagem” e colaborativa, da ciência aberta
    ou cidadã, e num diálogo tenso com as dinâmicas do governo biopolítico e
    da mercantilização do conhecimento, surgem atores cognitivos e políticos
    cujas práticas interessa-nos investigar.
    As contribuições ao dossiê poderão incluir temas como:
    *Ciência aberta, ciência cidadã e ciência comum
    *Ciência e produção do comum
    *Comunidades de práticas, comunidades epistêmicas e contra-expertise
    *Laboratórios cidadãos e experimentação política
    *Fablabs, hackerspaces, movimento maker
    *Ciência aberta e movimentos de inovação “na base” (grassroots
    innovation movements)
    *Produção de conhecimento científico contra-hegemônico e apropriação
    tecnológica
    *Protocolos, infraestruturas, tecnologias e modos de organização
    para a produção aberta e colaborativa de conhecimentos.

    O dossiê incluirá também uma seção com relatos de experiências
    inovadoras nos temas propostos.

    Nos artigos, o primeiro autor deverá ter preferencialmente titulação
    acadêmica de Doutor e não poderá ter titulação inferior à de Mestre. Nos
    relatos de experiências inovadoras não há titulação mínima. Demais
    regras para submissão encontram-se em
    http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/about/submissions#authorGuidelines

    Além do dossiê, a Revista está aberta à submissão de artigos e resenhas
    sobre outros temas em seu escopo de reflexão, conforme suas normas.

    Prazo de submissão: DE 15 DE SETEMBRO DE 2016 ATÉ 31 DE JANEIRO DE 2017,
    pelo endereço http://www.ibict.br/liinc

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    [es] LLAMADA DE ARTÍCULOS Liinc em Revista: “Ciencia ciudadana y
    laboratorios ciudadanos”

    Dicho número contará con un dossier sobre “Ciencia ciudadana y
    laboratorios ciudadanos”, organizado por los profesores Henrique Parra
    (Unifesp), Mariano Fressoli (Cenit, Buenos Aires) y Antonio Lafuente
    (CSIC, Madrid).

    En los últimos años, los estudios sociales de la ciencia y la tecnología
    permiten observar la emergencia de una multiplicidad de prácticas y
    espacios alternativos de producción de conocimiento. Estos espacios
    redefinen las fronteras e identidades entre científicos expertos y
    público comprometido, y entre el laboratorio científico y el laboratorio
    ciudadano. Inspiradas en las vertientes más críticas de la investigación
    “salvaje” y colaborativa, de la ciencia abierta y/o ciudadana, y en un
    dialogo tenso con las dinámicas de gobierno biopolítico y de la
    mercantilización del conocimiento, surgen actores cognitivos y políticos
    cuyas prácticas interesa investigar.

    Las contribuciones podrán incluir los siguientes temas:

    *Ciencia abierta, ciencia ciudadana y ciencia común
    *Ciencia y producción de los comunes
    *Comunidades de prácticas, comunidades epistémicas y experticias
    alternativas
    *Laboratorios ciudadanos y experimentación política
    *Fablabs, hackerspaces y movimientos maker
    *Ciencia abierta y movimientos de innovación de base (grassroots
    innovation movements)
    *Producción de conocimiento científico contra-hegemónico y
    apropiación tecnológica
    *Protocolos, infraestructuras, tecnologías y modos de organización
    para la producción abierta y colaborativa de conocimientos

    El dossier incluirá también una sección de crónicas de experiencias
    innovadoras sobre los temas propuestos.

    Para la presentación de artículos, se requiere que el primer autor posea
    al menos título de doctor (preferencialmente) o maestría. Mientras que
    para la presentación de experiencias innovadoras no se requiere
    titulación mínima. Para información sobre el resto de las reglas de
    presentación de trabajos, por favor véase el siguiente link:
    http://liinc.revista.ibict.br/index.php/liinc/about/submissions#authorGuidelines

    Además del dossier, la Liinc em Revista está abierta a la presentación
    de artículos y reseñas sobre otros temas en su espacio de reflexión, de
    acuerdo a sus normas editoriales.

    Plazo de presentación de los trabajos: 15 de septiembre de 2016 al 31 de
    enero de 2017, siguiendo las instrucciones en el siguiente link:
    http://www.ibict.br/liinc

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