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  • I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil

     
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    Gostaríamos de convidá-los a participar do I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil, que acontecerá nos dias 23 a 25 de outubro, no auditório Isván Jancsó da Universidade de São Paulo.
     
    O Seminário propõe uma reflexão em torno da relação entre as humanidades e as tecnologias digitais na atualidade, lançando o debate sobre as “Humanidades Digitais” na comunidade de pesquisas brasileira. Uma iniciativa do Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais (HDbr), o evento conta com o apoio da Alliance of Digital Humanities Organizations (ADHO), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e da Pró Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (PRCEU).
     
    O painel de convidados congrega nomes importantes do campo internacional das Humanidades Digitais e membros da comunidade de pesquisa brasileira com tradição em projetos que unem o saber humanístico às tecnologias computacionais de ponta, em especial nas áreas de ciência da informação, história, linguística e filologia. O Programa inclui conferências, mesas-redondas, apresentações de projetos em andamento e sessões abertas de debates, com a participação de figuras expressivas da cultura digital brasileira.
     
    A programação completa está no site do evento, http://seminariohumanidadesdigitais.wordpress.com/, por onde também já estão sendo realizadas as inscrições, gratuitas.
    Obrigada!
     
    A Comissão Organizadora
    I Seminário Internacional em Humanidades Digitais
  • Marco Civil da Internet – seminário

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    A proposta de um Marco Civil da Internet foi elaborada por diversos grupos da sociedade civil durante um longo processo de discussão. Agora, após 2 anos de enrolação para sua aprovação e diante do pesadelo real do Big Brother americano,  o governo federal e o congresso brasileiro acordaram para a importância de sua votação. Para analisar as propostas e disputas em curso e refletir sobre as implicações do Marco Civil da Internet em nossa comunicação cotidiana realizamos uma roda de discussão sobre o tema.

     

    Seminários do Pimentalab/TransMediar: “Marco Civil da Internet”.

    Com a presença da pesquisadora Cristiana Gonzalez.

    Data: 26 de setembro, quinta-feira, às 18hs

    Local: Sala 13 – Campus Pimentas – EFLCH/Unifesp.

     

    Materiais para discussão:

    Relatorio-Alessandro-Molon-Marco-Civil-11-7-2012

    Projeto de Lei – Marco Civil da Internet

    Proposta do Marco Civil analisado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil

    Novas emendas ao Projeto de Lei – final de setembro/2013

     

  • Treze princípios contra vigilância descontrolada apresentados em reuniao do ONU

    Hoje a Lavits (Rede Latino- Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade), o Gpopai (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP) e TransMediar / Pimentalab juntam-se a uma enorme coalizão internacional convocando o Brasil para avaliar se as leis e as atividades de vigilância nacionais estão de acordo com as suas obrigações internacionais de direitos humanos.

    Defendemos um conjunto de princípios internacionais contra a vigilância descontrolada. Esses 13 princípios (https://pt.necessaryandproportionate.org/text) publicizaram pela primeira vez um quadro de avaliação para repensar práticas de vigilância no contexto das obrigações internacionais para os direitos humanos.

    Um grupo de organizações da sociedade civil apresentou oficialmente os 13 Princípios no último dia 20 de setembro, em Genebra, em um evento paralelo com a participação de Navi Pillay, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Relator Especial das Nações Unidas sobre a Liberdade de Expressão e Opinião , Frank LaRue , durante a 24 ª sessão do Conselho de Direitos Humanos. O evento paralelo foi organizado pelas Missões Permanentes da Áustria, Alemanha, Liechtenstein, Noruega, Suíça e Hungria.

    O contexto brasileiro

    O problema da proliferação de mecanismos de vigilância no Brasil é de amplo espectro. É perceptível desde a ação do Estado como voraz coletor – e péssimo guardião – de dados pessoais e biométricos dos cidadãos até em conflitos, principalmente de classe, dentro da própria sociedade civil, por meio de dispositivos de coleta de imagem e outros dados que regulam o acesso a espaços privados. Com a informatização, a questão se tornou ainda mais complexa. Recentemente, foi revelado que a autoridade eleitoral nacional havia firmado um acordo que permitiria o acesso, por parte de uma empresa privada de informações sobre crédito, de dados de todos os eleitores brasileiros (vejam nota crítica da Lavits a respeito do caso). O país carece de legislação que dê proteção a dados pessoais armazenados eletronicamente e as propostas nesse sentido tem sido atacadas e postergadas indefinidamente. Líderes políticos e empresários mostram-se pouco cientes sobre a fragilidade de segurança das comunicações eletrônicas que utilizam; e o debate público sobre o tema e suas implicações ainda é muito raro e limitado à academia e ativistas.

    O lançamento dos “Princípios Internacionais sobre a aplicação do Direito Humano à vigilância das comunicações” vem num momento muito crucial para os países latino-americanos, especialmente o Brasil, que ainda tem um vazio legal em matéria de proteção dos direitos humanos no contexto das comunicações digitais. Esperamos que esta situação seja em breve contornada com a retomada das discussões sobre o Marco Civil da Internet brasileira, que neste momento tramita em regime de urgência no Congresso Nacional do Brasil.

    Pelo menos três casos recentes enfatizam a necessidade urgente de se promover ações e debate público sobre os temas abordados pelos 13 Princípios: as evidências de que o governo e as empresas brasileiras têm sido sistematicamente alvo de programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) ; a expansão do uso de tecnologias e práticas de vigilância a fim de responder aos padrões internacionais exigidos pelos megaeventos esportivos que ocorrerão nos próximos anos – Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016); e casos recentes de monitoramento, vigilância e criminalização, pelos governos estaduais no Brasil, dos participantes de protestos políticos iniciados em junho de 2013 no país.

    Ressaltamos, nos 13 Princípios, a importância da noção de “informação protegida”, atenta aos diferentes tipos de dados comunicacionais (como metadados, por exemplo) que hoje podem fornecer informações importantes e sensíveis sobre indivíduos.

    Por fim, vale ressaltar a necessidade de fortalecer mecanismos para garantir a proteção dos dados pessoais e dos direitos humanos dentro de comunicação, não só contra intrusões do Estado, mas também frente a interesses comerciais do setor privado, bem como frente às alianças, cada vez mais frequentes e complexas, entre atores estatais e não estatais.

    Os casos recentemente revelados de espionagem de Estados-Nação pela NSA foram transformados em um intenso debate na imprensa brasileira, especialmente por causa de evidências de que membros do alto escalão do governo brasileiro eram um alvo privilegiado, incluindo e-mails e chamadas telefônicas da presidente Dilma Rousseff, e a empresa pública Petrobras (uma das maiores empresas de petróleo do mundo). O monitoramento sobre a Petrobras demonstra claramente o uso estratégico e econômico de práticas de espionagem por agências estatais, como a NSA, para construir obscuras vantagens competitivas aos seus Estados de acolhimento. O caso descoberto em setembro de 2013 coincide com o momento em que a Petrobras estava organizando o leilão inicial de grandes reservas de petróleo, do qual participam empresas norte-americanas. O acesso à informação sobre a Petrobras e sobre o leilão pode influenciar as propostas e criar uma disputa desequilibrada para as empresas que participam do processo. A vigilância orientada sobre o governo brasileiro e a Petrobras tem impactado fortemente as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Em virtude dessa situação, a presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita oficial aos Estados Unidos, que havia sido agendada para outubro próximo.

    Pronunciamentos no contexto internacional

    Navi Pillay, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou em seu discurso de abertura no Conselho de Direitos Humanos, em 9 de setembro:

    ” Devem ser aprovadas leis e políticas para lidar com o potencial de intrusão dramático sobre a privacidade dos indivíduos que têm sido possível graças a modernas tecnologias de comunicação . ”

    Frank La Rue, o Relator Especial da ONU sobre a liberdade de expressão e opinião deixou claro o caso de uma relação direta entre o estado de vigilância, privacidade e liberdade de expressão neste último relatório ao Conselho de Direitos Humanos :

    “O direito à privacidade é muitas vezes entendido como um requisito essencial para a realização do direito à liberdade de expressão. Interferência indevida na vida privada dos indivíduos pode tanto direta como indiretamente limitar o livre desenvolvimento e troca de ideias. … Uma infração a um direito pode ser ao mesmo tempo causa e consequência de uma infração sobre o outro”.

    Saiba mais sobre os Princípios no site: https://pt.necessaryandproportionate.org/text

    Este texto foi discutido e elaborado por membros da Lavits: Fernanda Bruno, Marta Kanashiro, Rafael Evangelista, Rodrigo Firmino, e membros do Gpopai e do TransMediar / Pimentalab: Henrique Parra e Pablo Ortellado.

    No Twitter: #13Principles #HRC24

     

  • Políticas da Partilha e da Distribuição

    capa-livro-conexoes-deleuze-2013

    Link para DOWNLOAD.

    É com alegria que compartilho este artigo – “Políticas da partilha e da distribuição” – que acaba de ser publicado no livro “Conexões: Deleuze e Política e Resistência e…”.

    Neste texto, escrito em 2012, procuro refletir sobre as reconfigurações da prática política no contexto do capitalismo contemporâneo (em sua dimensão comunicacional, informacional) e da sociedade de controle. Tomo as manifestações de 2011 e a experiência de greve de 2012 como disparadores dos pensamentos para tentar elaborar a idéia de uma política da distribuição, referente às condições de produção do comum e de emergência  de novos sujeitos políticos face os mecanismos de captura (políticos e econômicos) da política identitária (da partilha).

    No livro, há trabalhos muito interessantes. Destaco o artigo de Philippe Mengue – “Espaço liso e sociedades de controle – ou a última política deleuziana”.  Ele dá boas pistas para as discussões entre os pós-estruturalistas e marxistas. Em sua, o conjunto do livro (gestado em 2012) tem muitas contribuições para o atual cenário político brasileiro das “Jornadas de Junho” e suas reverberações.

    Neste link, disponibilizo o artigo para DOWNLOAD.

  • Arendt e educação

    Preparando a aula de amanhã sobre Hannah Arendt – A Crise da Educação.

    Muitas coisas pra pensar e sentir neste momento.

    daqui de casa
    daqui de casa

     

    Fragmentos do texto:

    “O mundo, visto que feito por mortais, se desgasta, e, dado que seus habitantes mudam continuamente, corre o risco de tornar-se mortal como eles. Para preservar o mundo contra a mortalidade de seus criadores e habitantes, ele deve ser continuamente, posto em ordem”.

    “Exatamente em benefício daquilo que é novo e revolucionário em cada criança é que a educação precisa ser conservadora; ela deve preservar essa novidade e introduzi-la como algo novo em um mundo velho, que, por mais revolucionário que possa ser em suas ações, é sempre, do ponto de vista da geração seguinte, obsoleto e rente à destruição.” (p.243).

    A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum (p.247).

  • Alerta: censura e ameaça a trabalho fotográfico

    Foto: Antonio Brasiliano
    Foto: Antonio Brasiliano

     

     

    Fiquei muito preocupado com a notícia de que uma imagem do colega fotógrafo Antonio Brasiliano havia sido retirada de uma exposição por supostas ameaças de policiais. [Veja reportagem]

    Quando vi a imagem fiquei ainda mais chocado. Conheço bem esta e outras imagens feitas pelo Antonio na mesma época. Excelentes registros das lutas dos movimentos de moradia do centro de São Paulo e de um período de articulações entre diversos coletivos de artistas junto a esses movimentos. Ação que ficou mais visível na ocupação do edifício Prestes Maia, que está novamente ocupado após uma vergonhosa reintegração de posse.

    Em outro momento, esta mesma imagem integrou uma exposição fotográfica que fizemos e que foi selecionada para exibição no Encontro Anual da ANPOCS – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais; sendo também selecionada para a Revista DiverCidade, publicação eletrônica do Centro de Estudos da Metrópole do Cebrap. [Veja o Ensaio Aqui].

    Será que de lá para cá (de 2006 para 2013) a situação ficou ainda pior e a repressão ganhou novos e mais amplos contornos?

     

  • Amarildo: a força do meme e as novas alianças políticas

    Alguma coisa se rompeu nos últimos meses. Reconfigurações da política, da própria partilha do mundo, distribuindo corpos, idéias e sentimentos de uma forma diferente no espaço social. Por hora, só vemos as fagulhas.

    Amarildo desapareu há poucos dias. Quantos Amarildos “desaparecem” todos os dias? Quantos Amarildos terão que “desaparecer” para que tenhamos outra polícia? Noutro momento, talvez o caso não teria a mesma repercussão. Hoje, a desmilitarização da polícia brasileira é amplamente reivindicada com um passo necessário em direção a uma melhor democracia.

    Algo de novo aconteceu. Amarildo está em toda parte. Um meme nas redes digitais, transbordamentos trans-classes, morro-asfalto-ciberespaço. Todos somos Amarildo!

     

  • Bolsa para projeto de extensão – Pimentalab

    Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais

    Seleção de Bolsistas de Extensão para o edital ProExt – 2013

    DOWNLOAD – Edital-Selecao-Alunos-ProExt-Pimentalab-24072013

    Resumo

    (leia na íntegra em: http://wiki.pimentalab.net/Main/Extens%e3o )

    O projeto Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais consiste na criação de uma ‘laboratório’ de oficinas de formação e intervenção sócio-cultural num território específico. Laboratório entendido como prática, ao invés de espaço físico.

    A iniciativa efetiva-se através de oficinas de pesquisa-ação no Bairro do Pimentas, em que os participantes irão experienciar, numa dinâmica simultaneamente prática e teórica, o uso de tecnologias digitais de informação e comunicação (sempre em software livre), visando à produção e sistematização de conhecimentos sobre problemas sociais da região.

    Interessa-nos desenvolver metodologias participativas, em que as práticas de ensino, pesquisa e extensão estejam articuladas em todo o processo. A formação para a utilização das TICs está orientada por uma concepção de educação tecnológica em que os sujeitos são provocados a reconhecer as dimensões socio-políticas inscritas nesses dispositivos, incentivando-os à uma apropriação criativa que supera, portanto, o uso meramente ‘instrumental’ desses recursos.

    Ao combinar diferentes linguagens na realização do projeto, em especial a fotografia, o video, o texto e a cartografia, através de softwares colaborativos na web e nos dispositivos móveis (smartphones), pretendemos dinamizar formas de conhecimento e expressão em que os saberes estéticos-sensíveis cotidianos articulam-se aos saberes formais-abstratos. Tal abertura é fundamental para que possamos reconhecer e dar existência tangível aos conhecimentos e práticas sociais locais.

    Mais informações sobre o que estamos desenvolvendo: http://extensao.milharal.org

    Processo de Inscrição:

    O candidato deverá se inscrever por e-mail, enviando uma mensagem para:

    Prof. Henrique Parra: opensocialsciences@gmail.com

    assunto:PROEXTPimetalab

    Anexar à mensagem:

    (a)Nome, telefone e email para contato;

    (b)Carta de motivação justificando seu interesse em atuar no Pimentalab e descrevendo suas habilidades e interesses (veja mais infos sobre o projeto abaixo);

    (c)Cópia do histórico escolar atualizado (pode ser a versão online);

    Cronograma da inscrição e seleção:

    Inscrição via email: de 26/07/2013 a 02/08/2013.

    Entrevistas: agendada com os selecionados (resultado da pré-seleção será publicado no dia 7 de agosto. Data prevista para as entrevistas: entre 8 a 15 de agosto.

    Resultado final: 16/08/2013.

  • Política e internet: Haddad, “não entro em twitter e facebook”

    Coisas do acaso. Numa pilha de revistas num consultório qualquer, vasculho a revista Poder, edição de março de 2013, e leio a entrevista com o prefeito Fernando Haddad. Naquele dia, as Jornadas de Junho já estavam a todo vapor nas ruas da capital. No “box” da entrevista a frase do prefeito: “Política tem que ser olho no olho: não entro em Twitter e Facebook”. Isso talvez explique muitas coisas. Recomendo….dá um [apt-get upgrade] aí!

    haddad-revista-poder[PS: localizei a entrevista de 2013 replicada neste blog]

  • Entre Marx, Foucault e Deleuze – discussões em sala

    O texto abaixo foi escrito para a lista de email de uma disciplina (Leituras do Fora) que oferecemos no semestre passado. No curso, parte da bibliografia tinha uma clara influência dos estudos de Foucault. Os debates em sala, frequentemente enveredavam por questões políticas e o referencial marxista era também sempre mobilizado para as discussões. Em uma das aulas surgiu um debate caloroso que ganhou um contorno polarizado entre alunos marxistas versus pós-estruturalistas. Após a aula, seguiu-se o debate em nossa lista eletrônica. Abaixo, reproduzo a msg que enviei a lista com algumas poucas alterações posteriores.

    ***

    Caros Colegas,

    Fico contente com a discussão que está rolando na lista. Ótima oportunidade para aprofundarmos e seguirmos o debate para além da sala de aula. Peço desculpas antecipadas pela longa mensagem. Escrevi-a numa hora relâmpago de idéias, logo após intenso debate noutro contexto que eu estava.

    Fiquei surpreso na última aula quando alguns colegas disseram que estavam sentindo falta do Marx em nossas leituras/discussões.

    Em todo caso, recomendo uma olhada nos ultimos textos indicados (aqueles todos em espanhol). Dentre os autores trabalhados nesses textos, não é difícil constatar que a principal linha argumentativa é de inspiração marxista. Os links compartilhados e a discussão introduzida por A.Corsani por exemplo, já apontam para os esforços recentes empreendidos por militantes e teóricos da esquerda (tanto do marxismo-autonomista italiano como do marxismo europeu-ocidental) de incorporar outras reflexões advindas das lutas sociais e da produção intelectual dos ultimos 30 anos. Mas enfim…talvez tenha passado desapercedido. Mas vamos ao que interessa.

    Esta discussão chega em boa hora. Em diversos círculos onde acontecem debates político e intelectuais sobre o tema, há novos esforços dirigidos a aproximar as constribuições da teoria marxista às análises dos chamados pós-estruturalista. Em suma, como juntar, Marx-Deleuze? Do ponto de vista teórico, essas tensões são muito interessantes porque colocam em cheque as fronteiras do que entendemos como teoria social/ciência e ação política.

    Em se tratando das ciências sociais é muito difícil – talvez possível apenas sob condições muito limitadas – dizer onde começa e termina cada uma dessas coisas (ciência X política). Por isso, mais do que neutralidade da ciência social, a partir de um certo momento nos anos 70 (em especial graças às contribuições da crítica feminista de esquerda) muitos dos chamados “universais” da ciência ocidental, passam a ser compreendidos como nem tão universais assim (parciais). As historiadoras e filósofas da ciência passam a argumentar a favor da “objetividade” e da “parcialidade” do conhecimento, ao invés de sua neutralidade. Ou seja, a ciência deve se preocupar, do ponto de vista metodológico, em produzir um conhecimento “objetivo” mediante o controle dos seus métodos e reconhecendo seu caráter parcial (quem faz ciência parte sempre de algum lugar…). Este debate (objetividade-neutralidade da ciência) continua sendo bem explorado na sociologia e antropologia da ciência, filosofia e história da ciência.

    O debate que vocês lançaram pode abrigar ainda um outro relevo que julgo mais produtivo. Aqui, adentramos o campo da teoria do conhecimento, pois o que está em jogo é justamente as relações entre teoria social e o mundo real. Resumidamente, parte da teoria social moderna baseia-se na idéia da “totalidade” para interpretar e agir sobre o real; outros teóricos (não os chamarei de pós-modernos pois antes mesmo de surgir tão expressão de época já haviam teóricos que não analisavam o mundo com referência a uma totalidade exterior pré-constituída) buscam construir explicações do mundo sem partir ou construir uma totalidade explicativa. Chamemos essas últimas de perspectivas “parciais”, em oposição às perspectivas da “totalidade”.

    Em se tratando da teoria social, um problema que sempre nos aflige enquanto cientistas sociais, sendo esta talvez uma das razões de uma certa insegurança epistemológica, é o fato de que o mundo social não é o mesmo para todas as pessoas. Mas atenção para não confundir tal parcialidade ao relativismo das perspectivas, são coisas bem diferentes. Cada teoria, cultura e instituições constrói um “mundo” diferente em que vivemos. Tal “realidade” não existe sem a mediação do nosso pensamento, da cultura e de nossas práticas sociais. Só para citar um exemplo: para um marxista as relações de produção funcionam de uma forma e produzem valor de determinada maneira, enquanto para um economista marginalista, aquela mesma relação de produção funciona de outra forma e produz valor de outra forma. Um marxista olha para o interior da fábrica e “vê” a mais-valia sendo produzida diante dos seus olhos. Mesmo objeto, realidades distintas. Cada modelo explicativo irá constituir um mundo diferente que explica de maneira diferente como as relações sociais ocorrem e como devem ser enfrentadas. No limite, a diferença implica em configurações políticas distintas do mundo, em valores e princípios distintos, e em formas de resolução também distintas (como alguém aqui na lista já apontou).

    O que quero dizer com isso? Que não podemos deixar de perceber que toda teoria social produz um mundo real. Tomemos a citação precisa indicada pelo estudante M., quando Marx diz “O capital, por exemplo, não é nada sem o trabalho assalariado, sem o valor, sem o dinheiro, sem os preço, etc”…“O concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações e, por isso, é a unidade do diverso. Aparece no pensamento como processo de síntese, como resultado, e não como ponto de partida, embora seja o verdadeiro ponto de partida e, portanto, também, o ponto de partida da intuição e reprentação”. Tal trecho é fundamental para compreender os fundamentos epistemológicos de Marx em operação e sua idéia da totalidade: olha para a linha de produção da fábrica e não “vejo” a mais-valia (ela não “existe”, ainda que esteja lá); analiso essas relações de produção, sua história e ao fazer isso sou capaz de introduzir as relações daquela fábrica num todo maior produzido pela análise que elaboro do mundo (representação); olho novamente para a mesma linha de produção e “vejo” a mais-valia sendo produzida aí, diante dos meus olhos. É por isso que o “capital não é nada sem o trabalho assalariado, sem o valor, sem o dinheiro”….são todas mediações do concreto-abstrato que passam a existir e a produzir um outro mundo (mediado) diante do mundo imediato percebido, que se torna um “outro” mundo de conflitos, expropriações, interesses diversos etc… O “concreto” do início da análise não é mesmo “concreto” do ponto de chegada.

    As teorias de Marx são e foram importantes num duplo sentido: teórico e prático. No seu contexto de escrita Marx estava “criando” com todas as letras a “classe” operária. É um exemplo histórico fundamental de como o “real social” é este misto de empírico-subjetivo. Podemos chamar tal fenomeno também de “efeito da teoria”. Neste sentido, e esta é minha leitura parcial de Marx) não há “classes” sem “luta de classes”.

    Por isso, a maneira como “nomeamos” as coisas é tão importante, pois os nomes (categorias do pensamento) tem o poder de contribuir (junto ao empírico) para a criação de outras divisões do mundo. Neste sentido, optar por um tipo de explicação teórica em detrimento de outra, certamente terá consequências sobre a maneira como pensamos a ação política no mundo. Mas enfim…tudo isso vocês já sabem das aulas de epistemologia, métodos e filosofia da ciência etc…Como não tive esses cursos levei um bocado de tempo para compreender isso!

    Acho que a questão fica mais interessante quando nossas teorias começam a ter problema para explicar o que estamos observando, e também dificuldades para ajudar a orientar nossa prática política no mundo. Parece-me que nos ultimos anos, temos tido problemas para nos posicionarmos no mundo. Muitas coisas continuam iguais…outras tantas já mudaram de lugar. Por vezes é difícil saber como nossas ações participam de outros processos e dinâmicas mais amplos. O problema da “escala” da interpretação adquire outra importância. Por isso, vou retomar aqui um outro debate iniciado em sala porque ele nos toca justamente no limite dos nossos entendimentos sobre a teoria e a prática política (era sobre isso que eu queria escrever no início, mas desviei…).

    Pensar as relações de trabalho, exploração, produção de valor e quem são os seus sujeitos (trabalhador, gerentes, proprietários, acionistas) numa fábrica taylorizada é uma coisa. Mas se formos pensar as relações sociais/trabalho no interior da universidade contemporânea, e a maneira como a própria universidade insere-se atualmente de maneira distinta no interior da relação sociedade-economia-educação, a situação é bem diferente. Surgem novas questões cuja explicação não é tão simples. Acho que precisamos pensar quais são as ferramentas teóricas que pretendemos utilizar em função do: problema que vamos abordar; da escala/escopo que pretendemos dar conta e das relações que pretendemos estabelecer entre os níveis micro-macro da análise; dos tipos de resultados que pretendemos alcançar/indicar com a reflexão (isso é parte do aprendizado metodológico da construção de projetos).

    Acho que estamos diante de novas zonas cinzentas, zonas de indistinção que nos colocam diante de novos desafios práticos-teóricos-políticos. As definições que ocorrerão nessas zonas são de ordem política. Com isso quero dizer que a maneira como vamos dar novas respostas, como vamos fazer novas análises dos elementos que estamos observando e vivendo, poderá produzir novos sujeitos sociais e também novos modos de subjetivação. É este o problema enfrentado por aquela discussão que não chegamos a fazer sobre os “Intermitentes do Espetáculo” apresentada pelo texto da A.Corsani. A aliança entre os trabalhadores precários e os pesquisadores-teóricos buscou criar novas explicações para as relações de trabalho e produção de valor que também produzissem “novos” sujeitos (individuais e coletivos) no conflito. Neste sentido (e novamente esta é minha leitura), o valor (valor-trabalho) é sempre a expressão e a localização de um conflito. A questão central é saber localizar, identificar, territorializar onde está o conflito. A depender do local/processo que apontamos como produtor de valor, surge uma outra partilha do mundo, tendo em vista a constituiçao de uma nova totalidade (pelo menos do ponto de vista de uma teoria do conflito e do valor-trabalho marxista). A perspectiva dos pós-estruturalistas (em minha leitura) permitiria acrescentar um camada complementar de entendimento à formulação deste conflito, partindo de um ponto distinto (diversos das dinamicas imediatamente economicas) e sem mobilizar a priori a totalidade (do valor-trabalho) como princípio explicativo. Justamente por isso, as miradas de Foucault e Deleuze permitem que possamos perceber mecanismos outros de poder, estratificação e diferenciação na dinamica social que, quando observados sob a ótica da totalidade marxista, podem indicar novas dinâmicas de produção de valor na contemporaneidade.

    Atualmente, tenho pensado que analisar a relação professor-aluno de uma perspectiva da economia política do conhecimento é um bom exercício para analisarmos as novas formas de trabalho, exploração e produção de valor que se expandiram graças à mediação digital em redes cibernéticas. Por exemplo, quando você está assistindo aula você está trabalhando? Ou ainda, quando você está navegando livremente na internet, vendo seus sites favoritos você está trabalhando? Sim ou não? De que trabalho estamos falando aqui?