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  • Reunião TransMediar – 18 de agosto

    Das 16hs às 19:30hs no Campus Guarulhos – Bairro dos Pimentas.

    Local: Ponto de encontro – Café/Cantina do Campus um pouco antes das 16hs.
    Textos do debate empírico

    Cronologia completa do debate: novo ativismo, esquerda e economia da cultura – http://blog.pimentalab.net/2011/07/01/cronologia-debate-novo-ativismo-esquerda-e-economia-da-cultura/
    Referências teóricas para alimentar o debate:

    -Ursula Huws Expression and expropriation: The dialectics of autonomy and control in creative labour Ephemera , theory & politics in organization . Volume 10(3/4): 504-521. Disponível: http://www.ephemeraweb.org/journal/10-3/10-3huws.pdf

    -Briam Holmes: La Personalidad Flexible. Disponível: http://eipcp.net/transversal/1106/holmes/es

  • Cronologia debate: novo ativismo, esquerda e economia da cultura

    Recebi por email a seguinte compilação (omiti o email do emissor apenas para evitar spams).

    Obrigado ao Danilo!!

    
    CRONOLOGIA DO DEBATE (até 10/08/2011)
    
    1. 17/6/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “A esquerda
    fora do eixo” (http://passapalavra.info/?p=41221).
    
    2. 21/6/2011, nos comentários do PassaPalavra, Cláudio Prado (Casa de
    Cultura Digital) posta o seguinte texto:
    http://coletivope-de-cabra.blogspot.com/2011/06/texto-do-claudio-prado-sobre-o-fora-do.html.
    
    3. 22/6/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo na
    Marcha (1ª Parte)” (http://passapalavra.info/?p=41431).
    
    4. 22/6/2011, no blog Trezentos, por Ivana Bentes - “A esquerda nos
    eixos e o novo ativismo” (http://www.trezentos.blog.br/?p=6056).
    
    5. 23/6/2011, por Pablo Ortellado em seu próprio blog - “Capitalismo e
    Cultura
    Livre”(http://www.gpopai.org/ortellado/2011/06/capitalismo-e-cultura-livre).
    
    6. 23/6/2011, por Fabricio KC em seu próprio blog (Antitextos) - “Nem
    esquerda, nem direita, nem Fora do Eixo! Ivana Bentes e o texto do
    Passa Palavra”
    (http://fabriciokc.wordpress.com/2011/06/23/nem-esquerda-nem-direita-nem-fora-do-eixo-ivana-bentes-e-o-artigo-do-passa-palavra/).
    
    7. 25/6/2011, por Frederico Neto, no site Produtor.info - “Entre os
    problemas mais gritantes, Ivana Bentes destaca…”
    (http://infoprodutor.wordpress.com/2011/06/25/entre-os-problemas-mais-gritantes-ivana-bentes-destaca/).
    
    8. 26/6/2011, no blog Trezentos, por Henrique Parra e Gavin Adams -
    “Nem eixo nem seixo” (http://www.trezentos.blog.br/?p=6070) e
    (http://blog.pimentalab.net/2011/06/27/nem-eixo-nem-seixo/)
    
    9. 26/6/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo na
    marcha (2ª Parte)” (http://passapalavra.info/?p=41710).
    
    10. 28/6/2011, circula na lista da Marcha da Liberdade, texto já
    impresso na Revista Fórum, por Rodrigo Savazoni - “A Reinvenção da
    Política”(http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9252).
    
    11. 28/6/2011, por Renato Rovai em seu blog da Revista Fórum – “Fora
    do Eixo e a esquerda que a direita gosta”
    (http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/06/28/fora-do-eixo-e-a-esquerda-que-a-direita-gosta/).
    
    12. 29/6/2011, no blog Razão Crítica, por Elton Flaubert – “Lutas
    Sociais e Feitichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra
    (I)”(http://razaocritica2.blogspot.com/2011/06/lutas-sociais-e-fetichismo-notas-sobre.html).
    
    13. 29/6/2011, no blog Quadrado dos Loucos, por Bruno Cava – “Sair dos
    eixos à esquerda (I)”
    (http://www.quadradodosloucos.com.br/1612/sair-dos-eixos-a-esquerda-1/).
    
    14. 29/6/2011, no blog do Coletivo DAR, por Henrique Carneiro - “A
    Maconha, as marchas e a crise do capitalismo”
    (http://coletivodar.org/2011/06/a-maconha-as-marchas-e-a-crise-do-capitalismo-texto-de-henrique-carneiro/).
    
    15. 29/6/2011, por Fabricio KC em seu próprio blog (Antitextos) – “Por
    um pós-rancor menos pós-rebelde!”
    (http://fabriciokc.wordpress.com/2011/06/29/por-um-pos-rancor-mais-rebelde/).
    
    16. 29/6/2011, no blog Matutações, Gustavo Loureiro resgata o seguinte
    texto - “isso funciona (…) respira (…) come (…) caga (…) fode”
    (http://matutei.wordpress.com/2011/06/29/%E2%80%9Cisso-funciona-respira-come-caga-fode%E2%80%9D/).
    
    17. 29/6/2011, no blog O Grito do Inimigo, por Eduardo Mesquita –
    “Discussão ou invejinha? Escolha quem lê”
    (http://ogritodoinimigo.com/?p=1007).
    
    18. 30/6/2011, no blog Roraima Rock N Roll, por Wander Longhi - "Tudo
    que gira FORA DO EIXO um dia quebra"
    (http://roraimarocknroll.blogspot.com/2011/06/tudo-que-gira-fora-do-eixo-um-dia.html).
    
    19. 01/7/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo
    na Marcha (3ª Parte)”  (http://passapalavra.info/?p=41866).
    
    20. 03/7/2011, no blog Razão Crítica, por Elton Flaubert – “Lutas
    Sociais e Feitichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra
    (II)”(http://razaocritica2.blogspot.com/2011/07/lutas-sociais-e-fetichismo-notas-sobre.html).
    
    21. 03/7/2011, no blog Quadrado dos Loucos, por Bruno Cava –
    “Pós-modismo Pós-festivo (2)”
    (http://www.quadradodosloucos.com.br/1644/pos-modismo-pos-festivo-2/).
    
    22. 04/7/2011, no blog Trezentos, por Quã - "A esquerda sem fantasias:
    justiça e solidariedade" (http://www.trezentos.blog.br/?p=6126).
    
    23. 05/7/2011, no PassaPalavra, texto de Leo Vinicius - “A Marcha
    posta a trabalhar”  (http://passapalavra.info/?p=42054).
    
    24. 08/7/2011, no blog Razão Crítica, por Elton Flaubert – “Lutas
    Sociais e Fetichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra
    (III)”(http://razaocritica2.blogspot.com/2011/07/lutas-sociais-e-fetichismo-notas-sobre_08.html).
    
    25. 08/7/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo
    na Marcha (4ª Parte)”  (http://passapalavra.info/?p=42227).
    
    26. 10/7/2011, no Quadrado dos Loucos, texto de Bruno Cava - "Dormindo
    na Marcha (3)"
    (http://www.quadradodosloucos.com.br/1691/dormindo-na-marcha-3/)
    
    27. 15/07/2011, no PassaPalavra, texto do próprio coletivo - “Domingo
    na Marcha (5ª Parte)”  (http://passapalavra.info/?p=42544).
    
    28. 17/07/2011, no Diário Liberdade, texto do próprio coletivo -
    "Política, Subjetividades e Entrelinhas"
    (http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=17638:politica-subjetividades-e-entrelinhas&catid=59:institucional&Itemid=73)
    
    29. 19/7/2011, no Ver-o-Pop, entrevista com Cláudio Prado -
    "Entrevista especial e revolucionária com Claudio Prado"
    (http://ver-o-pop.ecleteca.com.br/2011/07/19/entrevista-especial-e-revolucionaria-com-claudio-prado/)
    
    31. 23/6/2011, no Blog Produção de Cultura no Brasil - da Tropicália
    aos Pontos de Cultura, texto do próprio blog - "Das redes às ruas: e
    agora, o que fazemos com isso?"
    (http://tropicaline.wordpress.com/2011/06/23/515/)
    
    32. 04/08/2011, na Caros Amigos, texto de José Arbex Júnior -
    "Lulismo Fora do Eixo": Artigo completo aqui:
    http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=9741
    
    33. 08/8/2011, no Blog Produção de Cultura no Brasil - da Tropicália
    aos Pontos de Cultura, texto do próprio blog - "Das redes às ruas :
    questões locais para conexões globais"
    (http://tropicaline.wordpress.com/2011/08/08/das-redes-as-ruas-questoes-locais-para-conexoes-globais/)

    Quem tiver outras referências pode completá-las na área de comentários e depois juntamos todas

  • Nem eixo nem seixo

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    Foto: Marcha da Liberdade, Av.Paulista – São Paulo, 18 de junho de 2011.

    Nem eixo nem seixo  [1]

    por Henrique Parra e Gavin Adams [2]

    Nas últimas semanas e, com maior intensidade logo depois da Marcha da Liberdade (18/06), cresceu um interessante debate em torno das formas de organização social e ação política presentes nessas recentes manifestações. Essas formas de organização ganharam visibilidade aguda no presente debate, mas têm sido desenvolvidas ao longo de vários anos de experimentação militante e sensível. A discussão segue de maneira animada em alguns artigos publicados na Internet. Começamos escrevendo este texto numa troca de emails, mas ele acabou virando este post. Esperamos que contribua para o debate.

    Parece-nos que as questões colocadas pelo debate indicam que tanto a reflexão teórica quanto a prática política compartilham um limite comum frente às urgências que têm aflorado no real. Como resultado, na ausência de condições (tanto teóricas como políticas) para que as análises dêem conta da complexidade do problema, as ferramentas analíticas parece que se tornam prisioneiras dos projetos políticos dos sujeitos que estão enunciando e problematizando os “fatos”. Estamos diante de uma fronteira em que as soluções interpretativas apontadas para os problemas empíricos observados são indissociáveis dos pressupostos que pré-configuram o campo político, e que atribuem (de maneira mais ou menos positiva) a agência e o protagonismo político a determinados grupos sociais. Nos debates que estão acontecendo em artigos públicos, listas de discussão e boas conversas de botequim, diferentes argumentos são mobilizados. Neste pequeno comentário, vamos distribuí-los em dois campos, bem representados pelos artigos do Passa Palavra e da Ivana Bentes, apenas para tornar o problema mais visível.

    O que primeiro chamou a atenção é que em ambos os casos a análise não pode ser separada de uma vontade/desejo de fazer realizar um certo projeto político, seja a luta de classes em seu porvir revolucionário; seja a multiplicidade sem totalidade de devires de resistência criativa.

    Algo está em movimento. A nítida sensação de que algo está a mudar, parece animar o presente debate. Ao esgotamento de tradicionais formas de organização e ação políticas parecem corresponder novas formas de ser e sentir, de trabalhar e morar que não encontram expressão nessas formas tradicionais. Mas, por outro lado, estas transformações parecem se concretizar em configurações específicas de trabalho, de subjetivação, de consumo, de existir e de sentir. A interpretação potencializadora desses fluxos geraria vantagem organizativa que permitiria o crescimento estratégico como que à sombra da velha hegemonia, que carece do instrumental de mesmo apreender o que está em movimento – potencialmente, sua própria destruição, ou pelo menos sua transformação libertária profunda (ou ainda a instrumentalização e aprisionamento das potencialidades para fins de manutenção do capitalismo).

    O artigo do Passa Palavra apresenta amplas contribuições para a problematização da atual conjuntura política. Aqui, concentramo-nos em apenas alguns aspectos. Neste artigo, critica-se este conjunto recente de manifestações públicas pois ele não apresenta os componentes esperados de uma ação política potencialmente emancipatória (o que vem a ser essa emancipação já é um problema para a discussão). Denunciam ainda a emergência de mecanismos de exploração econômica e relações de dominação no interior das redes aparentemente horizontais e democráticas (coordenadores, administradores ou produtores como expressão da emergência de uma nova classe gerencial?); e apontam possíveis processos de captura da energia política dessas mobilizações por novos grupos sociais (aparelhamento?). O argumento procede assim: parte-se de uma análise econômica das transformações recentes do capitalismo e se identifica a elas um setor ligado à comunicação. Este setor é composto de gerentes que, compreendendo os novos mecanismos da rede, se interpõem como intermediários entre os trabalho coletivo e sua comercialização. O artigo amplia esta análise para manifestações como a Marcha da Liberdade, julgando-as expressões dessa nova casta de gerentes comunicacionais que agenciam corpos alheios em redes produtivas. No sistema analítico mobilizado pelo Passa Palavra, a forma e a dinâmica do conflito e de seus sujeitos já está dada a priori. A análise não abre mão da economia como gerador de protagonismos socias, e já se sabe qual é a luta relevante a esse tipo de análise e onde se deseja chegar, faltando apenas encontrar ou produzir tais sujeitos (classes populares? novo operariado?) para que a luta aconteça na direção esperada. O texto sugere equivocadamente que o ativismo atual em geral seja a exata expressão do novo capitalismo (open business etc.), ignorando extensa e diversa experiência militante anticapitalista envolvida em formas mais complexas de interação com a produção capitalista [3].

    O artigo da Ivana Bentes, por sua vez, critica alguns pressupostos teóricos do artigo do Passa Palavra ao propor que sejam prisioneiros de uma “imagem do pensamento” (para ficarmos no vocabulário deleuziano) que condiciona suas análises, impossibilitando-os de enxergar o novo, suas aberturas e potencialidades. É possível se sentir contemplado pelos diagnósticos agudos proporcionados pelo partido teórico que informa a crítica realizada por Ivana. Porém, temos a impressão que as posições manifestas em seu artigo (são posições teóricas partilhadas por muitos interlocutores) acabam caindo, no âmbito deste debate local, numa armadilha semelhante à que eles querem denunciar.

    Deste ponto de vista, o grupo que está no centro das discussões (Fora do Eixo – FdE) seria um bom exemplo das novas formas de luta e de organização social no atual contexto do modo de produção capitalista (capitalismo cognitivo, capitalismo imaterial etc). Em suma, tanto este grupo como outras iniciativas envolvidos nessas várias manifestações no Brasil poderiam ser tomados como expressão da emergência de novos sujeitos políticos (precariado, cognitariado?). Certamente, o problema não é caso tomado como exemplo (FdE), mas deve remeter a um contexto sócio-histórico mais amplo.

    Tem sido frequente na grande imprensa e na Internet a tentativa de se estabelecer aproximações “identitárias” entre essas movimentações do Brasil com outras da Espanha, Tunisia e Egito, dentro do impulso de nomear o novo e o inominável, domando e controlando pelo discurso, reduzindo estas formas a formatos esperados e de antemão presos à análise política jornalística. Há, todavia, diferenças evidentes entre o contexto social, econômico e politico do Brasil com esses países e, também, no perfil do público jovem que protesta aqui e nesses países. Ao tentar interpretar esses movimentos recentes a partir dessas categorias, e ainda, ao conectá-los culturalmente (e ideologicamente) aos levantes árabes e protestos europeus, não estaríamos diante de uma análise que produz um real à semelhança de um projeto político que se deseja ver realizado? Assim, ao invés de buscar uma forma em vias de se realizar, talvez, o mais interessante, seja buscar as “zonas de vizinhança” entre esses acontecimentos.

    Portanto, em que medida tal análise que se pretende “imanente” (pela evidente vinculação teórica, que alias apreciamos parcialmente) não acaba por restabelecer um télos que pretendia negar? Neste caso, ao contrário das posições traduzidas no artigo do Passa Palavra, no artigo da Ivana Bentes o argumento procede da seguinte forma: sabe-se quem são os sujeitos políticos, sabe-se quais são suas formas de ação (a resistência pela multiplicidade, a luta das minoridades (que não se confunde com as minorias…) sendo necessário produzir e dar forma à sua luta política (não representativa, não unitária, não totalitária).

    Há ainda um outro ponto em comum a partir do qual as diversas posições sobre o problema estão gravitando: a categoria trabalho. De um lado (Passa Palavra), o diagnóstico aponta que o trabalho e sua racionalidade de tipo capitalista dominou todas as esferas da vida, material e subjetiva, e isso efetiva a opressão e a super-exploração. De outro, o trabalho nas sociedades contemporâneas, mediante a ganho de centralidade do capitalismo imaterial, tornou-se cada vez mais “comunicacional”, diluindo as antigas dicotomias que definiam as fronteiras entre: trabalho e de não-trabalho; autonomia e heteronomia; emancipação e exploração, entre outras. Mas, ao mesmo tempo, sob esta perspectiva (do capitalismo cognitivo) seria possível enunciar outras possibilidades de luta e criação politica (as lutas pelo comum).

    Interessamo-nos por ambas as posições e estamos animados com a possibilidade que temos de colocá-las em confronto a partir de um problema empírico que se apresenta diante de nós. Duvidamos, entretanto, que os problemas enunciados neste debate tenham respostas fáceis ou prontas. O momento parece exigir, simultaneamente, a prudência e a ousadia de ouvir com atenção e desconfiança o canto das multidões e das sereias. Talvez, o mais produtivo seja realizar um esforço para caracterizar e descrever quais são os problemas que estão colocados na mesa por ambas e outras perspectivas. Inevitavelmente, tal percurso irá interrogar tanto nossos pressupostos como as visões de futuro que inspiram o pensamento. Tal tarefa é necessariamente coletiva, e já está sendo realizado em diversos lugares por muitas pessoas. Assim, limitamo-nos a lançar alguns pontos que podem ajudar a dar visibilidade à encruzilhada, à fronteira do indistinto. É neste ponto que estamos, onde teoria e prática política estão se reinventando. Diriamos que a Política é exatamente este conflito pela definição das fronteiras do indistinto.

    Que outros pontos poderiam entrar nesta lista? É preciso discuti-los:

    • Política e Trabalho: este binômio aparece sob diferentes formas (e.g. liberdade x necessidade). Fazer política no reino do trabalho? Ou a política só é possível fora da esfera das necessidades? Trabalho como meio ou fim para a livre criação? Talvez os artistas respondem essa pergunta de maneira diferente dos metalúrgicos, mas a coisa fica mais complicada quando aparentemente algumas qualidades do trabalho criativo passam a ser solicitadas em outras esferas. Tal problema aparece também nas tensões entre o livre ativismo e as necessidades de sustentabilidade financeira dos movimentos: relação financeira X política efetiva. Trabalhamos o ano inteiro e vamos fazer revolução nas férias? Ou tentamos trabalhar fazendo as micro-resistências cotidianas? Ou reduzimos o trabalho para ter tempo livre pra fazer política? Enfim, qual o lugar da política? Essa questão está sendo respondida de diferentes formas.

    • Capitalismo Imaterial (pós-fordismo) e Capitalismo Material: é relativamente fácil de constatar que muitas coisas mudaram na economia e nas relações de trabalho nos últimos 30 anos. O difícil é confirmar o que mudou e o que persiste, reexiste. Quais as continuidades e transformações? Elas se dão da mesma forma nos diferentes países? Pode-se afirmar que houve um certo deslocamento e crescente importância do chamado trabalho imaterial para a produção de valor monetário. As guerras sobre a propriedade intelectual refletem isso em certa medida. Ao mesmo tempo, é curioso observar, por exemplo, a atual disputa geopolítica por terras cultiváveis, pela água e pelos minérios raros. Como diz um amigo, “é preciso fazer as contas” e refletir se e onde se dá a exploração, e julgar se abandonar essas ferramentas como obsoletas não interessa apenas àqueles que desejam rearticular essas relações de exploração dentro de um ambiente de rede. Diríamos que, além de fazer as contas, teremos que enfrentar um inescapável problema teórico e político pela definição do que entra ou não na contabilidade.

    • Esgotamento do modelo de representação política (partidos políticos, sindicatos etc): em que pese a crescente descrença nos partidos políticos (ha sempre uma pesquisa disponível pra mostrar como os jovens não se vêem representados nos partidos) estão surgindo novos partidos no Brasil. Curiosamente, alguns grupos que criticam esta forma de representação estão criando iniciativas que apontam para um possível devir-partido (Partido da Cultura, Partido Pirata…). Os sindicatos, ainda que inseridos em dinâmicas de burocratização e relativamente atrelados aos governos, são atores relevantes e também sob disputas internas. No momento, o emprego formal cresce no Brasil. Veremos novas estruturas de representação emergir? Como combinar a luta por direitos (que implicam em mecanismos de institucionalização) com a luta pela crescente expressão das diferenças e minorias (não-numéricas, mas aquilo que não é hegemônico)? Uma lei sempre define um dentro e um fora? Velhas questões que continuam atuais e respondidas de formas diversas…

    • Trabalho e não trabalho; trabalho colaborativo e novas hierarquias: onde está a fronteira? Por exemplo, quando a livre formação contínua (acesso à cultura) é indistinta da formação para o trabalho como ficam os problemas relativos à reprodução do trabalho? E como fica a distribuição do trabalho e a apropriação dos valores gerados a partir do trabalho colaborativo? Onde começa e termina a colaboração e a exploração? Será que faz sentido falar em exploração nesses contextos? (claro que não estamos falando das condições neo-fordistas dos info-proletários).

    • Projeto(s) político(s): não se trata de ter um projeto politico (felizmente não há um), mas isso não significa que não exista projeto algum! Afinal, quais são os projetos e horizontes políticos que estão silenciosamente guiando nossas reflexões e práticas? Nesta atual encruzilhada teórica e política seria falso dizer que nossas análises não estão sendo informadas por tais projeções. Há, em boa parte dos grupos ativistas envolvidos nessas mobilizações, um discurso atualizado da luta e dos modos de organização não-institucional. Não se trata de restabelecer processos pré-determinados ou totalidades preestabelecidas, mas isso não significa pensar a prática política apenas em seus momentos instituintes, reduzida só ao acontecimento efêmero. Diversas linhas de ação, do final dos anos 60 e mesmo os movimentos anticapitalistas do ciclo Seatle, formaram-se num horizonte de práticas criativas, não-institucionais e sem grandes metanarrativas ou projetos finais que orientassem suas ações. Entretanto, passado os momentos disruptivos quais eram as iniciativas que emergiam e ofereciam condições de respostas organizativas à sociedade? Há boas lições dessas iniciativas. Como articular as novas formas de luta, a potencia criativa, os momentos instituintes com as dinâmicas que exigem maior duração e organização no tempo-espaço?

    Novamente, são esses e outros (quais outros?) problemas/dilemas que estão na mesa, gerando diferentes respostas e influenciando as possíveis formas de organização social e luta política. Descrever, cartografar, analisar, problematizar essas situações e fazê-lo de forma compartilhada é uma tarefa relevante se quisermos ultrapassar as pequenas divisões e os conflitos que hoje enfraquecem esses movimentos.

    —————————————————-

    [1]  O texto dialoga, em especial, com dois textos. Recomenda-se a leitura de ambos:

    A esquerda fora do eixo – foi publicado como editorial no Passa Palavra [www.passapalavra.info].

    A Esquerda nos Eixos e novo ativismo – de Ivana Bentes, publicado no Trezentos [www.trezentos.blog.br].

    [2] Henrique Parra: polart [arroba] riseup.net ; Gavin Adams: gavartist [arroba] yahoo.com

    [3] Pablo Ortellado publicou um ótimo texto onde é feita esta análise de maneira detalhada: Capitalismo e Cultura Livre: http://www.gpopai.org/ortellado/2011/06/capitalismo-e-cultura-livre/

  • Em debate: novo ativismo e a esquerda

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    Fonte foto: http://hp.coiote.org/henrique-parra/manifestacao/marcha-da-liberdade/

    As recentes manifestações políticas nas ruas das capitais brasileiras estão suscitando interessantes debates. Dentre os novos atores que estão participando dessas ações trazendo outros elementos para prática e reflexão, destaca-se o Circuito Fora da Eixo. Espero em breve, num texto próprio, contribuir com algumas reflexões. Por hora, copio aqui dois artigos que exemplificam os debates.

    O primeiro artigo – A esquerda fora do eixo – foi publicado como editorial no Passa Palavra [www.passapalavra.info].

    Ele suscitou várias respostas. Entre elas, a que me parece mais interessante, foi o texto da Ivana Bentes – A Esquerda nos Eixos e novo ativismo – publicado no Trezentos [www.trezentos.blog.br].

    Quando acabava de publicar este post, saiu a réplica do Passa Palavra – Domingo na Marcha (1ª parte)

    Boa leitura!

  • Email e privacidade

    Às vezes, algumas pessoas perguntam porque eu utilizo para comunicação pessoal um email RISEUP.NET . Pois bem, o relato abaixo, copiado do Boletim Riseup (newsletter) dá algumas boas razões para esta escolha:

    ——————————————–

    Nós enfrentamos a Lei, e ganhamos – Boletim Maio 2011
    (atenção: questões legais específicas para os Estados Unidos)

    O que igrejas conservadoras, beijaços, advogados homofóbicos e Riseup tem em comum? Todos eles estavam envolvidos no caso “Igreja Batista Mount Hope x Riseup.net” na Corte Federal dos Estados Unidos. Resumindo a história: nós arrasamos.

    Após uma Igreja conservadora ter intimado os registros da conta de diversos usuários e usuárias de Riseup, fomos à corte em nome desses usuários para defender seus direitos de expressão anônima. Ao ganhar o caso, Riseup estabeleceu um importante precedente na Corte Federal dos Estados Unidos. A vitória legal de Riseup é importante porque fortalece nossa habilidade de defender o anonimato dos usuários de Riseup.

    O sistema legal dos Estados Unidos tem consistentemente considerado a habilidade de se expressar anonimamente como parte importante do direito de livre expressão. Porém, há uma pegadinha aí: quando alguém tenta te identificar online, como você pode defender seu direito de expressão anônima se defendendo o seu anonimato na Justiça, você revelará sua identidade? No momento, esta é uma lei sem jurisprudência nos Estados Unidos, e algumas cortes tem decidido que sítios da internet não podem proteger o anonimato de seus usuários sem que estes tomem parte no processo. Nosso sucesso em defender os direitos dos usuários em permanecerem anônimos ajuda a estabelecer um vital precedente nos Estados Unidos: você não perde seu direito de expressão anônima quando você está online.

    Google também recebeu intimações dentro do mesmo caso, e entregou informações do gmail sem qualquer intenção por parte de Google em defendê-las. Legalmente, provedores de serviços online podem receber intimações e entregar dados sem sequer informar os indivíduos que seus dados foram solicitados.

    Riseup gostaria de agradecer os advogados do movimento pelas longas horas dedicadas a este caso. Sem vocês, o mundo seria um lugar mais assustador. Agradecemos também à Eletronic Frontier Foundation (eff.org), o National Lawyer’s Guild (nlg.org), e nosso Sunbird.

    Também gostaríamos de agradecer a parte oposta no caso por sugerir que os usuários de Riseup não mereciam proteção pois sua expressão não era uma livre expressão “patriota”. Argumento hilariante. Nós lhes desejamos uma boa viagem de volta ao mundo bizarro de onde vocês vieram.

    Mais detalhes sobre a ação ativista em Michigan:
    http://blogtown.portlandmercury.com/BlogtownPDX/archives/2011/03/22/hack-back-right-wing-group-subpoenas-queer

  • Discussão Cultura Livre – Lawrence Lessig

    Reunião do TransMediar: dia 31 de maio, 2011 às 18hs na Unifesp

    Livro “Cultura Livre” em espanhol:

    http://www.elastico.net/archives/001222.html

    para baixar o livro inteiro, versão PDF

  • Discussão Texto Manuel Castells – Comunicação, Poder e Contrapoder

    Dia 17 de maio, das 18hs às 19:30hs

    Manuel Castells, Comunicação, Poder e Contrapoder

    parte 1 – PDF-parte1

    parte 2 – PDF-parte2

  • Discussão texto Yochai Benkler – Riqueza das Redes

    Dia 03/05 das 18hs às 19:30hs na Unifesp

    Yochai Benkler.

    -A Riqueza das Redes: http://cyber.law.harvard.edu/wealth_of_networks/Main_Page

    -Versão em portugues em processo de tradução: Leitura sugerida capítulo 1: http://cyber.law.harvard.edu/wealth_of_networks/A_Riqueza_das_Redes_-_Cap%C3%ADtulo_1

  • Encontros Grupo de Estudos – TransMediar

    Agenda

    15 de março – terça-feira: 18hs-19:30hs

    Marcuse, Herbert. Algumas implicações sociais da tecnologia moderna. In: KELLNER, Douglas (Org.). Tecnologia, guerra e fascismo. São Paulo: Ed. UNESP, 1999. p. 71-104.

    Link para texto: http://hp.pimentalab.net/txt/Implicacoes-Sociais-Tecnologia-Moderna-Marcuse.pdf
    29 de março – terça – 18hs-19:30hs

    Habermas, Jürgen. Técnica e ciência enquanto Ideologia. In: Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1975. p. 303-333. Publicado originalmente em 1968 para os 70 anos de Herbert Marcuse.

    Link para texto: http://hp.pimentalab.net/txt/Tecnologia-Ciencia-como-Ideologia-Habemas.pdf
    12 de abril – terça – 18hs-19:30hs

    Feenberg, Andrew. Racionalização Subversiva: Tecnologia, Poder e Democracia. Cibercultura Online. Vol. 4 [2001 – II] – Debates sobre a cibercultura:

    Link para texto: http://hp.pimentalab.net/txt/Andrew_Feenberg_Racionalizacao_Subversiva_Tecnologia_Democracia.pdf

  • Imaginando a rede

    Trabalho “Educazione” do coletivo Superstudio, realizado entre 1972-1973, em exibição na Bienal de São Paulo, 2010.


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    No canto inferior direito desta imagem há um pequeno texto sobre a situação imaginada. Segue abaixo cópia do texto:

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